Não sou tr00!

Prêmio Contigo do Metal – 2009

Publicado em Rédbenz por naosoutroo em 31/12/2009

“Mais um ano chegando ao final. Depois de 364 dias, de coisas boas, coisas ótimas, coisas ruins, e coisas terríveis, chegamos ao dia 365, com muita gente fazendo promessas, pensando que tudo vai mudar no ano vindouro, como se mudar um ano fosse algo além de virar uma folha no calendário, elaborado por comedores de criancinhas, e promulgado pelo chefe dos comedores (cujo nome não é Victor, antes que pensem o contrário), o que não passa de uma invenção humana para contar e manusear o tempo, sem nenhum efeito real sobre este, já que os homens são os seres mais fracos ante as intempéries nexo-tempo-espirituais”. (Trecho retirado de um livro de filosofia da Hungria.) De qualquer modo, o último dia do ano pode ser motor de coisas interessantes, como listas de melhor do ano. Melhor jogador de críquete, melhor ator pornô de filmes de zoofilia, melhor homicídio do ano, melhor corte de cabelo entre os esquimós, e, nesse caso, melhores álbuns de metal do ano de 2009. Por este motivo, decidi fazer um pequeno post listando os 10 melhores álbuns do ano que tá acabando, e assim, tentar inserir um pouco de bom gosto musical nesses incautos que leem meu blog. Então, vamos aos trabalhos:

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10º lugar – The Project Hate MCMXCIX – The Lustrate Process

Ficha Técnica:

The Lustrate Process

1. “Descend Into the Eternal Pits of Possession” 12:55

2. “You Come to Me Through Hell” 8:55

3. “See the Filth Become Flames in This Furnace” 8:20

4. “Our Wrath Will Rain Down from the Sky” 8:36

5. “The Locust Principles” 9:09

6. “Arise to His World of Infamy” 9:41

7. “The Burial of Gods” 7:01

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Esse é o sexto álbum dessa banda, que inclusive foi a última a ser parte dos meus reviews. E é um álbum muito bom, quase tão bom quanto o “In Hora Mortis Nostrae”, principalmente por contar com a participação de muita gente famosa na noite, como Christian Älvestam, L.G Petrov e Martin Van Drunen, Johan Hegg, e mixagem de Dan Swanö. A fórmula é a mesma que fez o sucesso do álbum anterior: troca de vocais femininos, melódicos, com vocais guturais, graves, das profundezas malignas; instrumental impecável, mesmo com a troca de guitarrista e baterista, com relação ao álbum anterior, e a saída do baixista, e a mistura de death metal progressivo com música eletrônica.

Download do álbum: Clique aqui. Caso peça senha, ela é “www.mediaportal.ru”.

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9º lugar – Warbringer – Waking Into Nightmares

Ficha Técnica:

Waking Into Nightmares

1. Jackal – 3:09

2. Living In a Whirlwind – 3:21

3. Severed Reality – 3:59

4. Scorched Earth 3:44

5. Abandoned By Time – 4:21

6. Prey For Death – 4:46

7. Nightmare Anatomy – 4:02

8. Shadow From the Tomb – 4:07

9. Senseless Life – 4:57

10. Forgotten Dead – 4:03

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. Uma banda da nova geração do Thrash Metal, que lançou seu primeiro álbum em 2008, e um ano depois, já lançou a sequência. Para muitos, isso poderia significar pressa, algo feito sem o cuidado necessário, mas, no caso do Warbringer, isso funcionou bem ao contrário, já que esse segundo disco é ainda melhor que o primeiro, o excelente “War Without End”, talvez por contar com a produção do sagazmente foda guitarrista e fundador do Exodus, Gary Holt. Mostrando o porquê de serem considerados uma das melhores bandas da nova geração, além da razão de terem contrato com a gravadora Century Media, esses californianos fazem um Thrash parecido com o estilo do já citado Exodus, mais direto, agressivo, rápido, com músicas de média duração. Se você gosta de Thrash, tem tudo pra gostar de Warbringer.

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8º lugar – DevilDriver – Pray for Villains

Ficha Técnica:

Pray for Villains

1. Pray for Villains – 4:02

2. Pure Sincerity – 4:38

3.  Fate Stepped In – 5:10

4. Back With a Vengance – 3:42

5. I’ve Been Sober – 5:16

6. Resurrection Blvd. – 3:59

7. Forgiveness Is a Six Gun – 4:42

8. Waiting for November – 5:07

9. It’s in the Cards – 4:25

10. Another Night in London – 3:05

11. Bitter Pill – 4:25

12. Teach Me to Whisper – 4:01

13. I See Belief – 3:55

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Eu conheço o Dez Fafara, vocalista e “dono” da banda, desde quando ele ainda era poser, e tocava New Metal com o Coal Chamber (que por sinal eu gostava bastante). Mas, desde 2004, ele resolveu mudar de ares e de sons, por estar cansado de tocar as coisas que o Coal Chamber fazia, e decidiu passar uma temporada num mosteiro em Svartalfheim, na Noruega, para completar seu rito de tr00zificação. Após isso, ele criou o DevilDriver, uma banda de Groove/Melodic Death Metal, bem melhor que sua antecessora, que lança álbuns progressivamente bons, desde o primeiro, self-titled. E, com esse Pray for Villains, lançado pela Roadrunner, conseguiram o melhor trabalho da carreira, chegando ao equilíbrio entre as passagens pesadas, e as mais melódicas, além de conseguirem a maior qualidade no que se refere a criar riffs, e músicas, memoráveis.

 

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7º lugar – Evile – Infected Nations

Ficha Técnica:

Infected Nations

1. “Infected Nation” 5:33

2. “Now Demolition” 5:46

3. “Nosophoros” 5:29

4. “Genocide” 7:42

5. “Plague to End All Plagues” 5:55

6. “Devoid of Thought” 5:37

7. “Time No More” 4:00

8. “Metamorphosis” 7:40

9. “Hundred Wrathful Deities” (Instrumental) 11:14 .

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Indiscutivelmente, esses britânicos são a melhor banda de Thrash da nova geração. Em 2007, com produção do lendário dinamarquês Flemming Rasmussen, que produziu os 3 melhores álbuns do Metallica, o Evile lançou o fantástico álbum “Enter the Grave”, o que já foi o bastante para eu e boa parte da crítica especializada considerá-los essa tal melhor banda da nova geração. E, com o lançamento do “Infected Nations”, esse ano, eles consolidaram, de fato, seus nomes na cena metaleira mundial, mostrando uma qualidade incrível em suas composições, e, criando uma esperança para que tenhámos bandas marcantes para as gerações futuras, o que está em falta. Tocando Thrash num estilo que possui semelhanças, mas não cópia, de suas principais influências, que são Exodus, Metallica, Testament e Slayer, além de bandas de Death Metal, como Obituary e Death, o Evile conseguiu melhorar o que já era praticamente perfeito, lançando uma obra para ficar marcada como uma das melhores do Thrash, nos últimos tempos. Diferente do primeiro álbum, esse “Infected Nations” é mais progressivo, assemelhando-se com o “…And Justice for All”, com músicas longas, intricadas, cheias de riffs e solos memoráveis, e com o vocal muito bom de Matt Drake. Infelizmente, em Outubro desse ano, o baixista da banda, Mike Alexander, morreu na turnê do novo álbum, devido a uma embolia pulmonar. Mas, mostrando uma força comparável ao de seus ídolos do Metallica, os caras do Evile já escolheram um novo baixista, John Graham, e vão continuar a turnê, no próximo ano.

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6º lugar – Artillery – When Death Comes

Ficha Técnica:

When Death Comes

1. When Death Comes 05:56

2. Upon My Cross I Crawl 05:28

3. 10.000 Devils 05:22

4. Rise Above It All 05:32

5. Sandbox Philosophy 04:44

6. Delusions Of Grandeur 05:10

7. Not A Nightmare 05:30

8. Damned Religion 05:10

9. Uniform 05:00

10. The End 05:22

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Conheço o Artillery tem um bom tempo, mas, infelizmente, não tinha algo recente deles para ouvir, até o lançamento desse álbum. Depois do magnífico “By Inheritance”, lançado em 1990, um dos melhores álbuns de Technical Thrash Metal da história,  eles ficaram 9 anos sem gravar nada novo, até que fizeram o disco “B.A.C.K”, que foi bom, apenas isso, e sumiram no mapa, novamente. Mas, eis que surge a notícia de que eles estavam de volta ao estúdio, gravando, e com uma mudança no lineup: saiu o vocalista de longa data, Flemming Rönsdorf, que tinha uma voz que seria bem adequada para cantar power metal, e entrou Soren Nico Adamsen, que, embora também tenha um vocal melódico, é bem mais grave (e melhor), que o de seu antecessor. E, como o resto da banda foi mantido, os mesmo integrantes que sempre fizeram coisa boa, principalmente os irmãos Stützer, guitarristas e mentores da banda, eu tinha certeza que algo muito bom seria feito. E, essa certeza não foi só confirmada, como ampliada, já que foi lançado um disco melhor do que eu esperava. Excelentes músicas, excelentes composições, excelentes riffs, excelente vocal, excelente bateria, excelente baixo, excelente letras, excelente mixagem, excelente capa. Uma ode à excelência.

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5º lugar – Scar Symmetry – Dark Matter Dimensions

Ficha Técnica:

Dark Matter Dimensions

1. “The Iconoclast” – 5:07

2. “The Consciousness Eaters” – 4:42

3. “Noumenon and Phenomenon” – 4:13

4. “Ascension Chamber” – 3:48

5. “Mechanical Soul Cybernetics” – 3:27

6. “Non-Human Era” – 4:45

7. “Dark Matter Dimensions” – 4:12

8. “Sculptor Void” – 5:23

9. “A Parenthesis in Eternity” – 4:43

10. “Frequencyshifter” – 3:15

11. “Radiant Strain” – 4:15

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Eu conheci essa banda no ano passado, por intermédio de um amigo do Camboja, que foi sequestrado enquanto trabalhava na fazenda de arroz da sua família, na cidade de Phnom Penh, e veio para o Brasil, para ser contínuo. Assim que ouvi o primeiro CD deles que conheci, o “Holographic Universe”, lançado ano passado, foi amor à primeira vista, já o considerando um dos melhores de 2008, e colocando essa banda como uma das melhores descobertas dos últimos tempos. Mas, infelizmente, junto disso, veio a descoberta de que o então vocalista, Christian Älvestam, dono de uma das melhores vozes do metal atual, que canta em 276 bandas, e era um dos grandes responsáveis por eu gostar tanto da banda, resolveu sair dela, e seguir com outros projetos. Para seu lugar, numa tentativa de manter o estilo vocal da banda, de guturais e vocais melódicos, dois vocalistas foram contratados: Roberth Karlsson, para o gutural principal, e Lars Palmqvist, para o vocal limpo principal, enquanto ambos desempenham a função inversa, no backing vocal. Confesso que fiquei apreensivo, quando soube disso, especulando que uma excelente banda, que tinha acabado de conhecer, já ia “acabar”. Porém, graças a Odin, não tive que chorar lágrimas de sangue ao ouvir esse “Dark Matter Dimensions”, pois se trata de um excelente álbum, e os novos cantores, mesmo não sendo tão bons quanto Christian, fizeram um excelente trabalho. Um magnífico trabalho, de uma das minhas bandas preferidas, não apenas de Melodic Death Metal, como de todos os estilos.

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4º lugar – Megadeth – Endgame

Ficha Técnica:

Endgame

1. “Dialectic Chaos” Dave Mustaine 2:24

2. “This Day We Fight!” Mustaine 3:31

3. “44 Minutes” Mustaine 4:37

4. “1,320′” Mustaine 3:51

5. “Bite the Hand” Mustaine 4:01

6. “Bodies” Mustaine 3:34

7. “Endgame” Mustaine 5:52

8. “The Hardest Part of Letting Go…Sealed With a Kiss” Mustaine, Chris Broderick 4:42

9. “Head Crusher” Mustaine, Shawn Drover 3:26

10. “How the Story Ends” Mustaine 4:27

11. “The Right to Go Insane” Mustaine 4:20

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Patodeth. Uma banda com a carreira tão polêmica quanto extensa, e maravilhosamente boa, na maior parte do tempo. Depois de tantas idas e vindas, trocas de integrantes, mudança de estilo musical, volta ao estilo consagrado, e depois do ótimo “United Abominations”, lançado em 2007, Mustaine não sossegou seu rabo de Pato Donald, e, mais uma vez, trocou o outro guitarrista, dessa vez, saindo Glen Drover, que tocou em apenas um álbum, e entrando o gigante, em tamanho e habilidade, Chris Broderick, que eu conheci quando tocou com o Nevermore, na turnê do disco “This Godless Endeavor”, troca esta que fez um bem danado para a música do Megadeth, que conseguiu, assim, criar uma obra que merece ser listada em conjunto com os clássicos da primeira metade da carreira da banda. São riffs, maravilhosos riffs, solos em profusão (para meu amigo cambojano, solos até demais), uma boa performance vocal do Mustaine, levando em consideração que o vocal dele é uma merda de ganso, as habituais letras polêmicas do Megadeth, falando de política, majoritariamente. Um dos melhores álbuns da década.

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3º lugar – Hypocrisy – A Taste of Extreme Divinity

Ficha Técnica:

A Taste of Extreme Divinity

1. “Valley of the Damned” 4:17

2. “Hang Him High” 4:35

3. “Solar Empire” 5:16

4. “Weed out the Weak” 3:50

5. “No Tomorrow” 4:16

6. “Global Domination” 5:15

7. “Taste the Extreme Divinity” 3:36

8. “Alive” 4:22

9. “The Quest” 5:31

10. “Tamed (Filled With Fear)” 4:39

11. “Sky Is Falling Down” 4:32

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Mais uma banda que eu conheci há relativo pouco tempo, mas já figura entre as minhas favoritas. Na verdade, antes de conhecer a criatura, eu conheci o criador, Peter Tägtgren, músico e produtor muito famoso na Suécia, que cantou em um álbum do Bloodbath, banda que conheci nas minhas andanças pela internet, e disso, descobri sobre o magnífico Hypocrisy. Ouvi, baixei a discografia, ouvi mais ainda, e percebi que estava diante de uma banda fantástica, daquelas que sempre quero ouvir. E, para melhorar tudo, descobri que eles iam lançar um disco novo esse ano, o que aumentou minha felicidade. Eu só não imaginava que esse “A Taste of Extreme Divinity” seria tão bom quanto realmente é. Rotulado como Melodic Death Metal, classificação que eu concordo, devido às melodias características de guitarra, é um dos Melodeaths mais brutais que existem, com riffs muito pesados, tanto nas músicas mais grooveadas, quanto nas músicas mais “thrashy”, como a faixa de abertura, “Valley of the Damned”, que é a melhor do álbum, e uma das melhores que ouvi na vida. Fenomenal.

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2º lugar – Slayer – World Painted Blood

Ficha Técnica:

World Painted Blood

1. “World Painted Blood” Tom Araya, Jeff Hanneman  5:53

2. “Unit 731″ Hanneman Hanneman 2:40

3. “Snuff” Kerry King King 3:42

4. “Beauty Through Order” Araya, Hanneman Hanneman 4:37

5. “Hate Worldwide” King King 2:52

6. “Public Display of Dismemberment” King King 2:35

7. “Human Strain” Araya, Hanneman Hanneman 3:09

8. “Americon” King King 3:23

9. “Psychopathy Red” Hanneman Hanneman 2:26

10. “Playing With Dolls” Hanneman, King, Araya  4:14

11. “Not of This God” King King 4:20

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Essas duas primeiras posições do meu “ranking” foram bem difíceis pra escolher. Eu ia colocar Slayer como primeiro colocado, mas, resolvi ser honesto comigo mesmo e, embora o World Painted Blood tenha ficado extremamente bom, e Slayer seja a minha banda preferida, ele não foi o melhor desse ano. Essa é a verdade. Mas, isso não é nenhum demérito para esses quatro rapazes angelicais, já que o primeiro colocado foi um álbum verdadeiramente destruidor, que merece, e muito, a sua posição. Falando do World Painted Blood, foi a sequência para o “trabalho” iniciado com o “Christ Illusion”, de 2006, que contava, depois de muito tempo, com a formação original novamente reunida, o genial Dave Lombardo voltando às baquetas, e mostrando, como sempre fez, porque é o melhor baterista de metal de todos os tempos. Mas, enquanto o “Christ Illusion” remontava à época mais “tr00″ do Slayer, com menos melodia e mais destruição, o “World Painted Blood” seguiu um outro caminho, digamos que equivalendo a melodia com a destruição, de forma semelhante ao que ocorreu no clássico “Seasons in the Abyss”. Obviamente, você deve entender a palavra “melodia” no conceito do que ela significa para o Slayer, que é ser algo “não-totalmente-tora-xoxotas-mas-que-vai-fazer-você-bangear-até-que-esteja-saindo-sangue-pelos-seus-ouvidos-enquanto-você-recita-um-cântico-aos-Aesir”. Por isso, embora mais melódico que seu antecessor, você pode esperar um típico álbum do Slayer, mais um disco de extrema qualidade, continuando a longa, magistral e impecável carreira desses adoradores do pé preto.

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1º lugar – Kreator – Hordes of Chaos

Ficha Técnica:

Hordes of Chaos

1. “Hordes of Chaos (A Necrologue for the Elite)” 5:04

2. “Warcurse” 4:10

3. “Escalation” 3:24

4. “Amok Run” 4:12

5. “Destroy What Destroys You” 3:13

6. “Radical Resistance” 4:43

7. “Absolute Misanthropy” 3:37

8. “To the Afterburn” 4:53

9. “Corpses of Liberty” 0:55

10. “Demon Prince” 5:16

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Para a surpresa de alguns que vão ler esse meu post, ou de todos, talvez, é do Kreator o meu álbum preferido do ano de 2009. Surpresa não por causa da banda, que é figurinha fácil entre as minhas preferidas, mas pelo fato de eu ser um “Slayer-whore”, e tê-los colocado como vice-campeões do ano. Fiz isso com muito pesar no coração, mas esses alemães (e um filandês), merecem, e merecem demais, estarem no topo do ano. Curiosamente, de todos os álbuns dessa lista, aliás, de todos os álbuns lançados em 2009, esse foi o primeiro que eu ouvi, já que vazou ainda no final de 2008, na internet. Mas, como o lançamento oficial foi no começo desse ano, ele é um disco de 2009. E que disco maravilhoso, é este. Depois de épocas turbulentas, onde o Kreator andou flertando com estilos bastante heterodoxos, a partir de 2001, com o lançamento do “Violent Revolution”, e mais ainda, em 2005, com o “Enemy of God”, meu disco favorito deles, o Kreator voltou aos trilhos dantes navegados, do Thrash caracteristicamente teutônico, pesado, rápido, agressivo, brutal, mas com o aditivo da melodia, que foi mais utilizada por eles na década de 90, com os tais heterodoxismos. Porém, para o “Hordes of Chaos”, essa melodia foi praticamente toda deixada de lado, voltando apenas com a agressividade que remonta aos tempos do soberbo “Extreme Aggression”, aquele Thrash que corta sua gargante, te pendura de cabeça pra baixo num gancho de prender porco no açougue, e te faz sangrar até a morte. Um dos melhores registros da carreira do Kreator, e do Thrash Metal de todos os tempos.

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Bem, então é isso tudo, amiguinhos. Um 2010 cheio de escuridão em vossos corações, e até o ano que vem.

Presuntinho já ficou pendurado no açougue. Depois disso, ele virou o Evil Pig from Carpathian Forests of Death.

Projeto algum número em romano, que não sei qual é

Publicado em Conhece o Mário? por naosoutroo em 27/11/2009

Olá senhoras, senhores, Victo…, ops, pessoas de todas as orientações sexuais. Cá estou eu novamente, para transmitir aos meus 30 leitores diários em média, que visitam meu maravilhoso blog, mais um pouco do meu conhecimento musical (sério, eu não sei como 30 pessoas visitam isso aqui, todo dia. O blog é meu, e nem eu faço isso. Agora, obviamente vocês não leem as coisas que eu posto, e, se leem, não comentam, né? Tá bom de isso mudar. Comentem aí, eu gosto, e respondo todo mundo.). Hoje, eu ia escrever sobre uma outra banda, que é relativamente mais conhecida do que a que falarei agora, além de ser uma de minhas bandas preferidas, no geral, o que tiraria o propósito da minha coluna “Conhece o Mário?”, onde eu tento falar sobre bandas menos conhecidas da galera Rédbenz. Mas, pretendo falar dessa banda preterida, num futuro próximo, já que ela é fantástica, e merece o meu parecer. Por hora, contentem-se com a outra banda sobre a qual eu falarei, já que ela também é fantástica, e com uma proposta sonora MUITO interessante , que, sem dúvida, merece atenção.

Como muitos de vocês sabem, eu tenho verdadeira ojeriza com relação a duas coisas: vocais femininos, no metal, e tecladinhos, ou inserções eletrônicas. Mais com relação ao primeiro, do que em relação ao segundo. E, não precisa que o vocal seja notadamente feminino, agudo, sem “força”. Basta que seja uma mulher cantando, gritando, urrando, guturalizando, o que quer que seja, eu acho odiável e horroroso, e não é por puro preconceito, já que tenho minhas razões para isso. É abominável. Nojento. Pútrido. Ignominioso. Aviltante. (Encaixe aqui os adjetivos de rejeição que mais os aprouver. Grato.) Mas, exceções existem, e essa banda é uma delas. A banda, no caso, é a Project Hate MCMXCIX (para os iletrados na numeração romana, o tio vai ensinar: I = 1, V = 5, X = 10, L = 50, C = 100, D = 500, M = 1000. E, quando você quer falar do numeral anterior às dezenas ou centenas, você coloca a letra correspondente ao numeral imediatamente inferior, na escala (isso também vale para o 5), por exemplo: IV = 4, IX = 9, XL = 40, XC = 90 e por aí vai. No nosso caso, MCMXCIX = 1999). A banda foi formada em 1998 por Lord K (Kenth Philipson) (Aliás, ridículo isso, de se auto-intitular “Lord” de alguma coisa, mas, tudo bem…), que já participou de uma enormidade de projetos (mais notadamente, tocando baixo e guitarra em algumas turnês com o Dark Funeral, e da God Among Insects, banda de Death Metal, que conta com os vocais de Emperor Magus Caligula (/rialto), do Dark Funeral), e era e ainda é, responsável pela maior parte do instrumental e das ideias musicais da banda, e pelo vocalista Jörgen Sandström, que cantou nos 3 primeiros álbuns da seminal banda de Death Metal da Suécia, Grave, além de ter tocado baixo por 9 anos na outra seminal banda de Death Metal da Suécia, Entombed. A partir do segundo registro oficial da banda, ela passou a contar com a vocalista Mia Stahl, que, depois de dois álbuns, foi substituída (felizmente), pela atual vocalista, Jonna Enckell. Fato este que deveria contribuir para eu odiar a banda, certo? Se você disse que sim, lamento informar que você falhou miseravelmente. Por mais incrível que seja, incrível até mesmo para mim, eu adorei a banda, justamente pelo fato dela contar com essa vocalista, que tem uma voz belíssima, e uma capacidade interpretativa que me deixa impressionado, sempre que eu escuto. Obviamente, se ela cantasse todas as músicas, o tempo todo, eu acharia uma merda foda, mas, o contraponto que existe entre os vocais profundamente belos da moça, com os vocais profundamente (dessa vez com um sentido de profundezas do inferno, mesmo) encapetados, do mancebo Jörgen, dá uma dimensão incrível, diferenciada e cativante para as músicas do Project Hate, o que me faz gostar demais dessa banda. Muito embora, além de vocais femininos, eles usem tecladinhos, que, graças a Odin, não são aquela coisa fluorescente e nauseante, como em outras bandas, mesmo de metal extremo. Eles são usados com moderação, mais em partes instrumentais, que servem extremamente para criar um “ambiente” para a música. Mas, vamos deixar de lero-lero (até porque essa porra de texto tá ficando enorme), e seguir para o que interessa.

The Project Hate MCMXCIX – In Hora Mortis Nostræ (2007)

The Project Hate - In Hora Mortis Nostrae

Ficha Técnica:

1. Annihilation of All That is Holy 09:12

2. Crawling Through the Infinite Fields of Carnage 08:29

3. Serenades of Rotten Flesh 08:05

4. For Our Name is Chaos Eternal 09:22

5. Tear Down the Walls of Heaven 08:04

6. And Damnation Is Forced Upon the Weak 09:58

7. The Innocence of the Three-Faced Saviour 12:00

 

 

 

Esse é o sexto álbum de inéditas (se contarmos a primeira gravação deles, do ano de 1998, que só foi lançada em 2003) dos suecos, o que demonstra uma capacidade profícua muito grande, já que são seis álbuns em 9 anos, além de uma criatividade para não se repetir, que é confirmada pelo sucesso de crítica e de público, que eles fazem. Os álbuns anteriores a este, especialmente depois da entrada da vocalista Jonna Enckell, são todos fantásticos, mas, é no “In Hora Mortis Nostrae” eles alcançam seu ápice (que, felizmente, teve seu legado muito bem continuado pelo excelente “The Lustrate Process”, lançado esse ano), tanto técnico, quanto de criatividade, e também no aspecto “viciante”, das músicas, já que todas elas são maravilhosas, diferentes entre si, e grudentas, com riffs, solos, partes vocais, trabalho de bateria, e até mesmo tecladinhos e inserções eletrônicas, que ficam na mente. Neste álbum, eles contam com, além dos três integrantes que já citei, o guitarrista Peter “Mazza” Freed, presente na banda desde 2002 (e que a deixou, posteriormente, ano passado), o baixista Michael Håkansson, presente na banda desde 2005 (e que a deixou, esse ano), e, pela primeira vez na história do Project Hate, com um baterista humano, já que em todos os outros discos até então, a bateria era eletronicamente programada pelo nosso nefasto Lord K, na figura de Daniel “Mojjo” Molainen, que também já foi substituído, mas, cuja presença foi um dos fatores para contribuir com esse ápice criativo e técnico, presente nesse álbum.

As faixas são longas, bem longas, flertando com as mais variadas vertentes do metal extremo, principalmente o Death Metal e o Industrial Metal. São composições com várias mudanças de andamento, estruturas mais “progressivas”, mas que retém, com primazia, os elementos mais característicos da banda, que são esses de Death e Industrial, que eu disse. O andamento das músicas é análogo ao de bandas de Death Metal que optam mais pelo lado grooveado, arrastado, do que pela semelhança com o Thrash Metal, embora tenha horas em que a bateria faz uma batida bem acelerada, com um uso incrível do pedal duplo. Os riffs são criativos, extremamente pesados, que harmoniosamente se integram com o vocal arrebatador e avassalador do Jörgen, que sem dúvida tem um dos melhores e mais cavernosos guturais que já tive o prazer de ouvir. É uma voz vinda das mais profundas profundezas dos vulcões gélidos no Nordeste da Valáquia Oriental, que é muito bem “contrariado”, como dito, pelo belíssimo vocal de Jonna, que possui uma das melhores vozes femininas que já ouvi, o que torna as músicas ora agressivas e surrantes, ora plácidas. Falando em profundezas infernais, nada mais natural do que o vocal ser assim, já que as letras de todas as músicas, não só desse álbum, como da carreira do Project Hate, tem cunho anti-religioso e principalmente anti-cristão, o que nos permite saborear poesias como: “He who claimed he was the truth, He, the helpless, useless fool, The son of a whore who died for you, For nothing” (Ele que clamava ser a verdade, Ele, o idiota inútil, sem ajuda, O filho de uma puta, que morreu por você, Para nada), na música Annihilation of All That Is Holy, ou ” The time to sin is ours, The Nazarene will now go down, The martyr, retribution, Your Messiah’s execution!” (O tempo para pecar é nosso, O Nazareno agora vai cair, O mártir, retribuição, A execução do seu Messias!), na música Tear Down the Walls of Heaven. Como podem ver, algo de uma beleza e de uma docilidade incríveis.

Todas as músicas são recomendadíssimas, principalmente a Annihilation of All That Is Holy (minha preferida), Tear Down the Walls of Heaven e And Damnation Is Forced Upon the Weak num álbum cuja nota não pode ser menor do que 10, já que, além da sonoridade completamente incomum, sombria e embascante, ao mesmo tempo, ele me fez quebrar dois dogmas mais sagrados que a Santa Ceia, que eu tinha na minha vida, e foram literalmente estuprados, depois de conhecer esses caras. Recomendo que, quem gostar do que ouvir, baixe o álbum, e corra atrás da discografia, principalmente atrás do Lustrate Process, que é tão incrível quanto esse álbum que acabei de analisar, e conta com participações especiais de vários caras famosíssimos, na cena tr00-underground-para-os-fortes-de-coração da Suécia, como Christian Älvestam, L.G Petrov e Martin van Drunen, que não é da Suécia, mas é tr00-underground-forte-de-coração.

PS 1: Vídeos do Youtube:

 

PS 2: Download do álbum: Clique aqui para baixar o álbum. Caso peça senha, ela é: “bunalti.com”

Até a próxima, amiguinhos.

Esse é o meu Thrash Metal

Publicado em Conhece o Mário? por naosoutroo em 15/10/2009

Num milagre tão grande quanto o Mustaine deixar de ter voz de pato maluco, pela primeira vez na história (eu acho), escreverei dois dias seguidos, por aqui. Dando continuidade à “série” que comecei ontem, de indicar álbuns de bandas menos conhecidas, que não são minhas preferidas-amadas-lindas-cheirosas-cheias-de-graça de cada dia, mas, sim, são bandas que eu gosto bastante, e a maioria das pessoas não conhecem, falarei de mais uma delas. Dessa vez, não tive tanta dificuldade para pensar em uma para escrever, já que a inspiração surgiu por acaso – estava ouvindo música, alguns minutos atrás, e pensei: “Cara, essa banda é boa demais, lembro de quando eu ouvi a primeira vez, e tive 3 ataques epiléticos, o que me faz usar marcapasso, hodiernamente!”. Na verdade, não foi bem assim. Foi mais um: “Cara, essa banda é boa demais, lembro de quando eu ouvi a primeira vez, e pensei: “Meu Deus, que incrível! Olha essa bateria, olha esses riffs, esses solos, esse vocal cuti-cuti!”" (Usar aspas dentro de aspas é uma arte). Por esse motivo, decidi escrever sobre essa banda, que é o glorioso Heathen, banda surgida no que talvez seja o maior celeiro de bandas qualidade da história do Heavy Metal, e do metal em geral, a famosíssima Bay Area de San Francisco, Califórnia, que viu surgir as maiores bandas das últimas três décadas (a briga com as chuvosas, enfumaçadas e industriais cidades inglesas é grande, mas na opinião deste que vos fala, a Bay Area ganha de lavada). O Heathen é cria da chamada “segunda geração do thrash da Bay Area”, contemporâneo de bandas como Testament, Forbidden e Vio-Lence.

Mas, junto de Testament (uma de minhas bandas favoritas, de todos os tempos), o Heathen tem mais destaque, porque foge do estereótipo comum da esmagadora maioria das bandas, que é tocar música 100% do tempo acelerada, que não te fazem pensar nem respirar, com vocalistas que berram, urram, vociferam, fazem qualquer coisa, menos cantar. Não, o Heathen não se limita a isso. Pode até ser que no primeiro álbum deles, de 1987, essa tônica-topos (topos = lugar comum, para aqueles não versados na língua galesa.) (galesa = francesa, para aqueles não versados na classe de alfabetização) do Thrash tenha sido presente, já que é um álbum mais imaturo, de uma banda que busca um lugar ao sol, e, portanto, deve seguir certas fórmulas para chamar atenção, ganhar dinheiro, assinar contratos, angariar fãs, e toda essa presepada. Porém, no segundo álbum, do ano de 1991, do qual falarei em breve, chamado Victims of Deception, a banda foge quase que inteiramente desses clichês, e cria uma obra muito inteligente e com uma qualidade fantástica, que deve ser conhecida por todos os fãs do estilo. (Incrivelmente, o ano de 1991 é muito bom para o Thrash, apesar do perceptível declínio que o metal em geral vinha sofrendo. É só você pensar que nesse ano, saíram álbuns como “Time Does Not Heal”, do Dark Angel (do qual talvez falarei em breve), “By Inheritance”, do Artillery (do qual também talvez falarei em breve), ambos BASTANTE parecidos com o estilo desse álbum do Heathen, fazendo o chamado Technical Thrash Metal (que, ouso dizer, foi inventado pelos gênios do Metallica, no maravilhoso ano de 1988, no álbum …And Justice For All), subgênero do Thrash Metal “tradicional”, que apesar de conter riffs pesados, bateria martelante, solos rápidos, e tudo o mais, abre espaço para um lado mais progressivo, nas músicas, que têm estruturas complexas, mudanças de andamento, variedade sufocante de riffs, letras mais elaboradas, vocais menos previsíveis (os vocalistas de Artillery e Heathen (mais) e Dark Angel (menos) cantam com um timbre que lembra o do Power Metal, mas sem aquela boiolagem toda. Ao invés de rispidez, de grunhir, eles realmente cantam, interpretam as músicas, de forma melódica, e bastante bonita, às vezes.), o que torna tudo muito mais interessante. Além desses três álbuns citados, ainda posso citar, sem muito esforço da minha memória, o brutal e totalmente devastador “Arise”, dos brasileiros do Sepultura, além do “Cowboys From Hell”, do Pantera-não-glam, que apesar de ser odiado por muita gente, que os julga como pais do new metal, nessa época tocavam um Power-Groove-Thrash (Power-Groove é invenção deles, a adição do “Thrash” é mea culpa) dos bons. (Porra, eu quase me perdi, no meio desse monte de parênteses. Espero que vocês ainda estejam por aí. Eles estão acabando, prometo. Só vou usar mais dois, pra fechar a ideia.))

Enfim, chega de lenga-lenga, vamos logo ao que interessa.

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Heathen – Victims of Deception (1991)

Victims of Deception

Victims of Deception

Ficha Técnica:

1. “Hypnotized”  8:36
2. “Opiate of the Masses”  7:51
3. “Heathen’s Song”  9:26
4. “Kill the King” (Rainbow Cover) 3:34
5. “Fear of the Unknown” 7:09
6. “Prisoners of Fate” 6:21
7. “Morbid Curiosity”  6:28
8. “Guitarmony”  3:32
9. “Mercy Is No Virtue” 6:28
10. “Timeless Cell of Prophecy” 5:23

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Os integrantes da banda, nesse álbum, eram o vocalista Dave White, os guitarristas Lee Altus (sim, o mesmo que entrou no Exodus, após o álbum Tempo of the Damned) e Doug Piercy (que com o hiato que a banda viveu, no começo dos anos 90, logo após o lançamento desse álbum, se mudou para a Alemanha, e virou piloto de corrida!), o baterista Darren Minter, e, por não ter um baixista efetivo, as linhas de baixo foram gravadas por Marc Biedermann (vocalista da banda “cult” de Thrash Progressivo, Blind Illusion, também conhecida como a banda onde Les Claypool e Larry LaLonde (que também tocou no Possessed, que é tido como um dos criadores do Death Metal) tocaram, antes do Primus), que, durante a turnê, foi substituído por vários outros baixistas.

Por ser um disco progressivo, como habitual, é composto de faixas majoritariamente grandes (todas têm mais de 5 minutos, tirando a instrumental Guitarmony), com tempo total de pouco mais de uma hora. Uma hora que passa voando, devo dizer, já que você acaba de ouvir, e fica obviamente querendo mais. A qualidade individual de cada membro foi muito bem utilizada, gerando uma variedade incrível ao álbum. O vocal soa agressivo, quando deve ser, e melódico quando deve ser, sem exageros, tanto para um lado quanto para o outro, em perfeita consonância com os poderosos riffs, que possuem bastante diversidade, sendo rápidos, arrastadas, melódicos, tudo na mesma música, assim como os solos (tocados quase que exclusivamente pelo Lee Altus, cuja qualidade que hoje salta aos olhos, no Exodus, existe desde muito tempo antes), que tangem com muita precisão os extremos de velocidade e técnica, assim como os de melodicismo e “feeling”. Outro grande destaque, é o trabalho da bateria, que preenche bem todas as músicas, sendo cadenciada quando deve, sendo avassaladora, quando precisa (ouvir esse álbum com fones de ouvido é algo quase orgásmico, porque dá para perceber com muito mais clareza os momentos onde os pedais duplos são utilizados, e a gente ouve que eles são utilizados do modo mais fantástico possível). E, contrariando 9 entre cada 10 álbuns de metal, desde que o mundo é mundo (tirando o Iron Maiden, já que o baixista é o chefe), o baixo até que tem certo destaque, sendo bem perceptível em algumas passagens (a mixagem do álbum é bastante bem feita, e ajuda o baixo a aparecer, mesmo nas caixas de som. Mas, assim como em relação à bateria, ouvir nos fones dá outra dimensão à música), o que chama atenção.

Quanto as músicas, todas são de excelente qualidade, assim, de verdade. Claro que umas se sobrepõe às outras, em termo de impacto, mas não é um álbum que cansa, ou um álbum que contenha músicas pra “encher linguiça”. Mesmo sendo progressivo, você sente que cada riff, cada verso, cada pancada na bateria, cada palhetada no baixo, tem um sentido, e foi colocado ali para formar o melhor conjunto possível. Como principal destaques, cito a faixa de abertura, “Hypnotized” (melhor de todas, pra mim), cuja letra faz uma crítica bem inteligente à religião, utilizando de fragmentos de um discurso do “evangelista” Jim Jones, que, dentre outras coisas, fundou uma seita nos Estados Unidos, onde ele copulava com homens e mulheres, afim de aumentar a ligação espiritual dessas pessoas com ele, que se julgava santo, e “o único homem realmente heterossexual do planeta”, além de ter promovido a maior matança de civis americanos da história, que só foi ultrapassada pelos atentados de 11 de Setembro de 2001 (na verdade, foi um suícidio em massa. Deve ter sido divertido.) Depois desse mini-discurso, ao iniciar a música, ela encaminha para uma introdução bem melódica, das guitarras, com um solo bem sagaz, logo de cara, que vira uma rifferama de quebrar o pescoço. Uma maravilha de música.  Além dela, duas outras músicas muito boas são “Heathen’s Song” e “Prisoners of Fate”, ambas, que tendem mais ao lado baladístico da coisa, com um final bem melancólico, bem emocional (sem ser emo. Emotrve.). Ah, o cover de “Kill the King”, originalmente do Rainbow, também é muito bom, bem animadinho. Vale à pena conferir.

Esse foi um dos CDs que mais me impressionou, na vida, quando eu escutei pela primeira vez, tanto que, por muito tempo, mesmo eu conhecendo apenas esse álbum (só fui conhecer o primeiro, Breaking the Silence, um bom tempo depois de conhecer a banda (internet discada é um atraso de vida)), o Heathen ficou entre minhas bandas preferidas. Isso mudou, de uns 2 anos pra cá, mas eles continuam com lugar cativo no meu coração, e esse álbum está pelo menos entre os 30 melhores da história do Thrash Metal, com toda certeza. E a boa notícia, é que, após um loooongo tempo sem nenhuma novidade (basicamente, após esse álbum, em 1991, eles se reuniram em 2002, fizeram uns shows, gravaram uma demo em 2005, e mais nada), hoje, procurando notícias sobre eles, descobri no Myspace Oficial que três membros que gravaram este CD que acabei de revisar (Dave White, que agora utiliza o nome David Godfrey, que é o sobrenome do seu pai, Lee Altus e Darren Minter), junto de outro guitarrista e outro baixista, acabaram de gravar um novo álbum, chamado “Evolution of Chaos”, cuja data de lançamento é dia 30 desse mês. Portanto, vocês que gostarem, logo, logo terão mais músicas novas, para ouvir e gostar, porque o Heathen sabe o que faz. Em resumo, é outro dos álbuns que marcaram a minha vida. Esse é o meu Thrash Metal [Álvaro Garnero feelings]. Nota 10, com louvor.

PS 1: Vídeos do Youtube:

PS 2: Download do álbum: Clique aqui para baixar.

Caso peça senha, ela é “www.mediaportal.ru”, sem aspas.

Presunto Estragado.

Presunto Estragado.

Desmembramentos com cheiro de jasmim

Publicado em Conhece o Mário?, Rédbenz por naosoutroo em 14/10/2009

Bem, bem, bem. Depois de muuuuito tempo (quase um mês), resolvi escrever algo por aqui, novamente. Andei meio sem paciência-sem vontade-sem ter o que escrever, mas, hoje, aliás, já faz um tempo, venho sentindo desejo de falar sobre música, mas não da forma que vinha fazendo, com longos (ênfase em longos, já que todo mundo que lê, reclama do tamanho) posts sobre as bandas que mais gosto, falando, falando, falando, sem parar. Isso me cansou, isso também deve ter cansado a todo mundo que lê. Então, embora ainda queira continuar falando das bandas que mais gosto (com mais concisão, eu juro), hoje resolvi fazer algo diferente. Vou falar também de uma banda que gosto, mas não de uma das minhas preferidas. Falarei de uma banda desconhecida para o grande público, mas que eu acho um pecado isso acontecer. Enquanto escrevo essa introdução, penso qual banda escolherei, e não faço a mínima ideia. Por essa razão, vou perder um tempo olhando o meu Zune (player da Microsoft, muito bom, que tem uma interface amigável e bonitinha, que indico a você, meu leitor, baixar e usar. Como sou um rapaz legal, vou colocar o link, aqui. Falando em link, também vou colocar links dos álbuns que indicar, pra quem se interessar não ter o trabalho de procurar. Não Sou Troo! a serviço da comunidade. Download do Zune), até achar uma boa banda. Esperem.

Bem, foi difícil, mas consegui. Depois de horas de pesquisa árdua, cheguei ao meu escolhido. E ele é o álbum Massive Killing Capacity, do maravilhoso Dismember, banda clássica de Death Metal, da Suécia. Não vou falar de blá-blá-blá de história, nem nada disso (pra isso tem a Wikipédia, e eu dou até o link pro artigo deles: Dismember (em inglês).

Massive Killing Capacity (1995)

Ficha Técnica:

Massive Killing Capacity

Massive Killing Capacity

1. “I Saw Them Die” – 2:48
2. “Massive Killing Capacity” – 2:53
3. “On Frozen Fields” – 2:35
4. “Crime Divine” – 2:58
5. “To the Bone” – 3:12
5. “Wardead” – 2:26
6. “Hallucigenia” – 4:06
7. “Collection by Blood” – 3:40
8. “Casket Garden” – 3:35
9. “Nenia” – 4:38
10. “Life – Another Shape of Sorrow” – 4:52

Neste, que é o terceiro álbum do Dismember (sucedendo Like a Ever Flowing Stream, de 1991, e Indecent and Obscene, de 1993, que eram mais calcados no som do Death Metal tradicional, semelhante ao das bandas americanas, principalmente), os suecos continuam tocando Death Metal, sim, só que com uma boa dose de melodia e frufrus bonitinhos, que os fazem criar uma obra integrante, e também influente do Gothenburg Metal, o, amado por muitos, odiados por tantos, Death Metal Melódico, acusado de sujar a podridão fétida que deve ser característica primordial do “metal da morte”, e também aclamado por dar um toque de beleza, alegria, leveza e inteligência a um estilo cuja principal marca é ser denso, soturno, pesado e visceral. Este é um disco curto, com apenas 10 faixas, totalizando 37:52 minutos, mas com uma qualidade imensa, que pode ser percebida desde o primeiro segundo, da primeira música, que é uma das minhas preferidas do CD (na verdade, todas são).

Essas 10 canções são curtas, sem muita enrolação, indo bem direto ao ponto, e variando entre riffs e levadas de bateria mais grooveadas, mais lentas, à partes bem aceleradas, bem “bate-cabeça”, sempre acompanhadas do excelente vocal de Matti Kärki. Além dos excelentes riffs e do vocal, outro ponto de destaque são os solos, praticamente todos bem melódicos, um dos fatores definitivos para considerar esse álbum como pertencente ao Melo-Death, executados pelo guitarrista David Blomqvist (o único outro membro, além de Matti, que permanece na banda até hoje. O baterista Fred Estby, que também era das antigas, saiu em 2006, depois das gravações do álbum “The God That Never Was”). Falando em bateria, como em praticamente toda banda de metal extremo, ela é sem dúvida um dos principais destaques, sempre conduzindo a música da forma mais perfeita possível, com viradas bem executadas e uso consciente do pedal duplo. E o baixo, como não poderia deixar de ser, é bem… baixo (turum-tá). Nem dá pra perceber que ele existe (salvo em alguns pedaços, de algumas poucas músicas, que ele aparece, aparece bem, fazendo a diferença.).

Eu conheci a banda não tem tanto tempo (acho que foi no final de 2008), quando eu comecei a me interessar, na verdade, comecei a “engolir” essas bandas de Death Metal e seus guturais, coisa que eu sempre achei uma desculpa de quem queria apenas fazer barulho sem sentido, e não música. Mas, com o tempo, eu fui percebendo que essas bandas, quando boas, são realmente boas, e quando ruins, são realmente ruins. Basta saber separar alhos de bugalhos (adoro esses ditos populares), que você consegue encontrar bastante coisa boa pra ouvir. E, claro, ser um pouco condescendente com a indiscutível estranheza que é sentida, ao começarmos a ouvir tais músicas, que são de difícil compreensão (nem falo de compreender o que os caras cantam, falo de compreender a música em si), mas que, ao fim, nos garantem qualidade sonora, tais como a de bandas como o saudoso Death, que está entre as preferidas do meu coração.

A missão de escolher uma música preferida, pra chamar de “a melhor do álbum” é bem difícil. Todas acabam sendo parecidas, não tanto em estilo, mas em qualidade. Como destaque maior, cito três: “On Frozen Fields” (minha favorita), a faixa-título, “Massive Killing Capacity”, e a instrumental “Nenia”, que é sem dúvida a música mais “diferente” do álbum, que é toda construída de uma forma bem melódica, com riffs e solos de uma beleza difícil de encontrar, que, no minuto final, são substituídos por riffs mais distorcidos, pra quebrar essa complacência e essa placidez. Uma música belíssima.

Esse é um dos meus discos preferidos de Melodic Death Metal, e do Death Metal em geral, que por não conter nenhuma falha, não conter nenhuma sobra, ser perfeito do início ao fim, merece levar nota 10 (sim, agora eu vou dar notinhas para os álbuns. Já que fazer reviews é o maior exercício de subjetividade que um aspirante a blogueiro, como eu, pode fazer, nada melhor que dar notas para condizer com essa prática de análise de gosto, que todo mundo faz, e alguns gostam de ter como base, na hora de conhecer novas bandas. Eu, inclusive, já fiz isso, quando tava começando a peregrinar pelo caminho de Santiago de Compostela do metal. Mas outro dia eu falo disso, porque meu post já tá ficando gigante.)

Bem, é isso, amiguinhos. Espero que tenham gostado e até a próxima, nesse mesmo blog, com esse mesmo carinha chato que vos fala. Au revoir!

PS 1: Vídeos do Youtube:

PS 2: Link para download do álbum: Clique aqui para baixar.

A senha é “bunalti.com” (sem aspas).

Aconteceu comigo…

Publicado em Pensamentos cíclico-aleatórios por naosoutroo em 21/09/2009

Duas semanas atrás, tive um problema com minha internet (uso o Vivo 3G Ilimitado), e precisei ligar para o serviço de atendimento ao cliente (SAC), que, todos sabem, funciona maravilhosamente bem, já que os atendentes são super prestativos, atenciosos, ágeis, resolvendo seu problema em poucos minutos. Eis que, após 4 ligações mal-sucedidas, e 2 horas de espera, para enfim conseguir resolver minha questão, fui brindado com a seguinte pérola:

SAC – Boa noite, senhor, em que posso ajudar?

Eu – (Expliquei meu problema todo, pela quarta vez)

SAC – Senhor, qual o sistema operacional que o senhor utiliza?

Eu – Uso o Windows Seven.

SAC – (20 segundos pensando…)

SAC – Mas é XP ou Vista?

Eu – *balançando a cabeça* É o Vista.

SAC – Vou estar verificando a sua linha. Aguarde um momento, por favor.

Eu – Tudo bem. *Começa a tocar a musiquinha, e eu começo a rir loucamente.*

Apesar das horas de espera, esse fato valeu toda a encheção de saco. Adoro atendentes bem-informadas.

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Os pais do New Metal?

Publicado em Músicas para os Posers por naosoutroo em 11/08/2009
Soul of a New Machine

O que o Nhonho tá fazendo ali?

Senhoras, senhores, meio-termos. Depois de mais de um mês de paralisação das atualizações desse malfadado blog, um arroubo de vontade surgiu no âmago do meu ser, para voltar a escrever por aqui. E, dessa vez, seguindo conselhos de pessoas sábias, tentarei escrever pouco, menos do que o normal, porque sei que é cansativo ficar lendo esse monte de besteiras que eu falo, na tela do computador. Não sei se consigo, mas, custa nada tentar. Além disso, também resolvi fazer algo um pouco diferente, desse post em diante, que é falar da discografia inteira de algumas bandas que não estão entre as minhas 10 preferidas, mas que eu gosto bastante, e são dignas de nota o suficiente, para serem comentadas por aqui.

E a primeira dessas bandas, é o Fear Factory. Formada em 1989, pelo guitarrista Dino Cazares (que também tocou baixo nos 3 primeiros álbuns), pelo baterista Raymond Herrera, e, pouco tempo depois, pelo vocalista Burton C. Bell, sob o nome de Ulceration, que, no começo do ano de 1990 seria mudado para o nome atual, traduzindo uma tentativa de expressar o som da banda no começo da carreira, uma mistura de Industrial com Death Metal, bastante influenciado pelas bandas de grindcore britânicas, que estavam alcançando sucesso naquela época, assim como por bandas como o Ministry, que começava a fazer sucesso nos EUA, influências que são claramente mais presentes nas demos e no álbum Concrete (falarei dele mais tarde), o Fear Factory foi uma das primeiras bandas a utilizar a mistura de gutural com vocal limpo, na mesma música, característica que foi marcante em boa parte do meio musical dos anos 90, assim como foi uma das primeiras bandas a mesclar elementos de música eletrônica com metal, servindo de influência inegável para boa parte dos artistas que compõem o extremamente mal visto grupo do chamado “New Metal”. Só que não são apenas esses artistas que “beberam da fonte” do Fear Factory, já que nomes como Robb Flynn (ex-Violence, Machine Head), Mark Hunter (Chimaira) e Peter Tägtgren (Hypocrisy, Pain), dentre outros, citam álbuns como o Soul of a New Machine, na lista daqueles que mudaram a música, além de utilizarem um estilo vocal que foi pioneirizado por Burton C. Bell.

Lembro que a primeira vez que ouvi falar da banda, foi no prístino ano de 2005,  quando um amigo meu, que ouvia majoritariamente New Metal, e detestava as bandas de metal mais clássico, coisas que eu tava começando a gostar cada vez mais, e me aprofundar, falou pra mim dessa banda, “Fir Faquitóri”, como ele chamava. Até me mostrou duas ou três músicas, mas eu não gostei tanto. Talvez pelo vocal encapetado, que na época eu realmente detestava (e hoje em dia, gutural pra mim tornou-se algo bastante apreciável, quando bem feito), ou por causa dos elementos mais eletrônicos, nas músicas, coisa para a qual eu sempre torci o nariz. Mas, o tempo foi passando, e no começo desse ano, quando coloquei banda larga em casa (Nem moro na roça, mas isso era um problema, pra mim. Conseguir ter banda larga.), foi a segunda discografia inteira que baixei (a primeira foi do Sodom). Desde então, já com a cabeça mais aberta para novidades, com minhas fronteiras musicais bem expandidas, fui progressivamente ouvindo as músicas, e reparando que tem muita coisa boa, e enlouquecedora por ali, principalmente o álbum Demanufacture, que é, por inteiro, clássico e fantástico. E, nos últimos 5 dias, eu não paro de ouvir as músicas desses caras, o que foi o motivo de eu escrever sobre eles, agora.

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Fear Factory

Discografia

Soul of a New Machine (1992)

Soul of A New Machine

Soul of A New Machine

Ficha Técnica:

1. “Martyr” 4:06
2. “Leechmaster” 3:54
3. “Scapegoat” 4:33
4. “Crisis” 3:45

5. “Crash Test” 3:46
6. “Flesh Hold” 2:31
7. “Lifeblind” 3:51
8. “Scumgrief” 4:07
9. “Natividad” 1:04
10. “Big God/Raped Souls” 2:38
11. “Arise Above Oppression”  1:51
12. “Self Immolation” 2:46
13. “Suffer Age” 3:40
14. “W.O.E.” 2:33
15. “Desecrate” 2:35
16. “Escape Confusion” 3:58
17. “Manipulation” 3:29

Nesse primeiro álbum, os estilos claramente mais marcantes são o Death Metal e o Industrial Metal (tônica que mudará posteriormente). O vocal e o instrumental são semelhantes ao de bandas de Death Metal clássico, com um gutural mais grave, pouco uso de vocais limpos, riffs rápidos e pesados, bateria martelante, e uso intenso de pedal duplo (que foram capturados com perfeição pelo famoso produtor Colin Richardson), com letras que abordam a criação de uma máquina por parte dos seres humanos, que pode ser tecnológica ou governamental, segundo o guitarrista Dino Cazares, o que torna este um álbum conceitual. E essa relação homem-máquina foi abordada pela banda em todos os álbuns, até o Digimortal, de 2001.

As músicas têm duração de 3 minutos, em média, majoritariamente rápidas, com alguns breakdowns, e poucas inserções eletrônicas, no meio disso. Outro ponto notável não apenas nesse álbum, mas em praticamente toda a discografia do Fear Factory, é a ausência de solos de guitarra, componente básico das bandas de metal, o que eu confesso não ser algo que me agrada, uma música sem solo, mas que, pelo estilo das canções, seria até ruim que eles existissem, já que seria algo sem sentido, em meio a toda essa agressividade, em meio a esses sons eletrônicos, e, principalmente, seria estranho devido à baixíssima afinação da guitarra.

São muitas músicas, e a maior parte, de alta qualidade, principalmente pra quem gosta de Death Metal old is cool, bem tocado, raivoso e violento, por isso, fica difícil indicar alguma faixa como preferida. Mas, sem dúvidas, as que mais se destacam são “Martyr” (a melhor do álbum), “Scapegoat”, “Crisis”, “Crash Test” (riffs e vocais insanamente perfeitos), “Arise Above Oppression” (breakdowns destruidores) e “W.O.E” (uma excelente mistura de pancadaria e momentos mais “calmos.) Em resumo, é um álbum bastante recomendado.

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Demanufacture (1995)

Demanufacture

Demanufacture

Ficha Técnica:

1. “Demanufacture” – 4:13
2. “Self Bias Resistor” – 5:12
3. “Zero Signal” – 5:57
4. “Replica” – 3:56
5. “New Breed” – 2:49
6. “Dog Day Sunrise” (Head of David cover) – 4:45
7. “Body Hammer” – 5:05
8. “Flashpoint” – 2:53
9. “H-K (Hunter-Killer)” – 5:17
10. “Pisschrist” – 5:25
11. “A Therapy for Pain” – 9:43

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O magnum opus da banda. Indubitavelmente. Acho que essa frase serve perfeitamente para exemplificar o que significa esse álbum, na discografia do Fear Factory. Absolutamente todas as músicas são clássicas, todas merecem ser escutadas, todas são dignas de nota, todas são excelentes. Eu calculo ter escutado esse disco umas 59 vezes, na última semana, pelo menos. E não me canso de ouvir.

Novamente produzido por Colin Richardson, e novamente um álbum conceitual sobre as relações homem-máquina, dessa vez falando sobre os conflitos de um homem contra um governo controlado por máquinas, o Demanufacture deixa de lado boa parte dos elementos do Death Metal, incorporando características do ainda infante Groove Metal, unidas com características de Industrial Metal, o que foi uma mudança extremamente acertada. Não que eu não goste de Death Metal. Pelo contrário, é um de meus estilos preferidos. Mas, para o som do Fear Factory, essa mudança foi a melhor coisa que poderia ter acontecido, já que a agressividade permaneceu a mesma, só que mais refinada, mais lapidada e em conjunto com elementos mais tênues, mais melódicos, que dão o tom perfeito para o álbum, que é fantástico em todos os sentidos, principalmente porque seus membros participantes são ícones naquilo que fazem. Dino Cazares é um mestre das sete ou oito cordas (sim, ele usa esse tipo de guitarra), Raymond Herrera toca a bateria com tanta velocidade e precisão, que muitas pessoas pensaram que ele utilizou uma “drum machine”, na gravação desse álbum, e Burton C. Bell faz os melhores vocais da carreira, com a mistura de vocal gutural com vocal limpo sendo impecavelmente executada.

Eu indico ferrenhamente que, quem ler isso aqui, baixe esse álbum completo, ouça com calma, e prepare-se para ser atingido por uma onda esmagadora de brutalidade e qualidade sonora. É extremamente complicado destacar alguma música, mas vocês precisam ouvir antes de morrer as faixas “Demanufacture”, “Self Bias Resistor” (melhor do álbum, e uma das melhores que já ouvi), “Zero Signal”, “Body Hammer” e “H-K (Hunter Killer)” (avassaladora).

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Obsolete (1998)

Obsolete

Obsolete

Ficha Técnica:

1. “Shock” – 4:58
2. “Edgecrusher” – 3:39
3. “Smasher/Devourer” – 5:34
4. “Securitron (Police State 2000)” – 5:47
5. “Descent” – 4:36
6. “Hi-Tech Hate” – 4:33
7. “Freedom or Fire” – 5:11
8. “Obsolete” – 3:51
9. “Resurrection” – 6:35
10. “Timelessness” – 4:08

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Contando pela primeira vez com um baixista de fato, na gravação de um álbum, além de mais um membro para ajudar nas composições, na figura de Christian Olde Wolbers, o Fear Factory gravou o álbum Obsolete, dessa vez sem a presença do produtor Colin Richardson, o que não significou menos qualidade. Focando mais no aspecto da inserção de elementos eletrônicos nas músicas, que se tornaram mais frequentes ao longo desse disco, o que deu uma grande modernizada no som, além de uma aproximação com o New Metal, mas sem deixar de lado a marcante presença de riffs rápidos, pesados, bateria ensurdecedora, e vocais agressivos (dessa vez, praticamente sem guturais) junto de vocais limpos, os americanos conseguiram o maior sucesso comercial da sua carreira, vendendo 500 mil cópias, nos EUA. Nesse álbum, também, Dino Cazares usou afinação A na guitarra, pela primeira vez na carreira, o que ajudou a manter o som “clássico” do grupo.

Dessa vez, não apenas o álbum possui um conceito nas letras, como possui uma história conceitual, sendo contada em “cenas”, que vão prosseguindo de acordo com as músicas do álbum, contendo protagonistas e antagonistas, história essa que é bem explicada no encarte do álbum, e segue a ideia presente no álbum anterior, tratando sobre o futuro da humanidade, e como as máquinas dominarão os homens. A maioria das músicas segue a linha básica do Fear Factory, com exceção da música “Descent”, uma das melhores do álbum, que é bastante calma, e de “Timelessness”, que fecha o disco, e chega a ser melancólica, contando com a presença de violinos, o que dá um toque bastante bonito e singular à canção. Como destaque, além dessas duas que falei acima, cito “Shock” (melhor do álbum), “Smasher/Devourer” e “Freedom or Fire”.

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Digimortal (2001)

Digimortal

Digimortal

Ficha Técnica:

1.  ”What Will Become?” – 3:24
2. “Damaged” – 3:03
3. “Digimortal” – 3:04
4. “No One” – 3:37
5. “Linchpin” – 3:25
6. “Invisible Wounds (Dark Bodies)” – 3:54
7. “Acres of Skin” – 3:55
8. “Back the Fuck Up” ft. B-Real – 3:10
9. “Byte Block” – 5:21
10. “Hurt Conveyor” – 3:42
11. “(Memory Imprints) Never End” – 6:48

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No ano de 2001, no que viria a ser infelizmente o último álbum gravado com Dino Cazares, que deixou a banda devido aos constantes conflitos com os outros membros, principalmente com o vocalista Burton C. Bell, o que culminou, inclusive, na dissolução do grupo no ano de 2002, que pouco tempo depois se reformou, dessa vez sem a presença de Dino, com Christian remanejado para a guitarra, e com a entrada do baixista Byron Stroud (Strapping Young Lad), o Fear Factory lançou esse disco, que está entre meus preferidos da banda.

Com uma presença um pouco menor do lado eletrônico, e com mais foco na guitarra e na bateria, que, dessa vez, se mostram mais cadenciadas na maior parte das músicas, que são de média duração, e novamente tratando sobre a “história” iniciada no álbum “Demanufacture”, dessa vez com seu capítulo final, que mostra como homens e máquinas decidiram se juntar, por terem observado que esse era o único modo de garantirem sua sobrevivência, eles conseguiram criar um álbum bastante acessível, talvez o mais acessível de toda a carreira (que conta, inclusive, com a presença de um rapper, na faixa 8!), sem deixar de lado os elementos que os consagraram, sendo o trabalho que eu considero o melhor para quem está querendo conhecer a discografia da banda.

Apesar disso, “Digimortal” não fez tanto sucesso comercial quanto seu antecessor, já que foi considerado “muito comercial”, num sentido poser, e foi comparado com álbuns de new metal, o que fez os fãs antigos criticarem o álbum. Tudo isso levou o Fear Factory a ter pouco apoio durante a turnê de divulgação do álbum, e, com o subsequente término do grupo, o contrato com a gravadora Roadrunner foi descumprido, o que a levou a lançar o álbum Concrete (calma, já vou falar dele), e mais uma coletânea de músicas raras, para poder liberá-los.

As melhores músicas pra mim são a faixa de abertura, “What Will Become”, a faixa-título, “Digimortal”, “No One”, “Invisible Wounds (Dark Bodies)” (uma baladinha, que pra mim é a melhor canção do álbum, apesar do vocal lembrar POD) e “(Memory Imprints) Never End”.

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Concrete (2002)

Concrete

Concrete

Ficha Técnica:

1. “Big God”/”Raped Souls” (Bell, Cazares, Herrera) − 2:36
2. “Arise Above Oppression” (Bell, Cazares, Herrera) − 1:57
3. “Concrete” (Bell, Cazares, Herrera) − 2:28
4. “Crisis” (Bell, Cazares, Herrera) − 3:33
5. “Escape Confusion” (Cazares, Herrera) − 4:09
6. “Sangre de Niños” (Bell, Cazares, Herrera) − 2:03
7. “Soulwomb” (Bell, Cazares, Herrera) − 2:35
8. “Echoes of Innocence” (Bell, Cazares, Herrera) − 3:04
9. “Dragged Down by the Weight of Existence” (Bell, Cazares, Herrera) – 2:42
10. “Deception” (Bell, Cazares, Herrera) − 0:29
11. “Desecrate” (Bell, Cazares, Herrera) − 2:37
12. “Suffer Age” (Cazares, Herrera) − 3:45
13. “Anxiety” (Bell, Cazares, Herrera) − 1:39
14. “Self Immolation” (Bell, Cazares, Herrera) − 2:34
15. “Piss Christ” (Bell, Cazares, Herrera) − 2:41
16. “Ulceration” (Bell, Cazares, Herrera) − 2:45

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Sem dúvidas, o álbum mais controverso da carreira do Fear Factory, já que, originalmente, nem é um álbum. Calma, que eu explico. Essas músicas foram gravadas em 1991, pelo então desconhecido produtor Ross Robinson (que anos mais tarde viria a ser o principal responsável por gravar material das mais diversas bandas de new metal, tornando-se o mais famoso produtor desse estilo). A banda não ficou satisfeita com o contrato de gravação deste, que seria seu primeiro álbum, e então abandonou o produtor, que, não satisfeito com isso, entrou na justiça para resolver esse problema. No fim, a banda manteve o direito sobre as músicas, e Ross Robinson, sobre o álbum. 8 dessas canções foram regravadas e incluídas no disco “Soul of a New Machine” (a música Piss Christ é completamente diferente da Pisschrist, presente no Demanufacture), e, quando o Fear Factory quebrou o contrato com a gravadora Roadrunner, em 2002, ela decidiu lançar esse álbum, para ganhar um pouco de dinheiro. Por esses motivo, o Concrete não merece maiores análises.

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Archetype (2004)

Archetype

Archetype

Ficha Técnica:

1. “Slave Labor” (Herrera/Wolbers) – 3:53
2. “Cyberwaste” (Herrera/Wolbers) – 3:18
3. “Act of God” (Herrera/Wolbers) – 5:08
4. “Drones” (Herrera/Wolbers) – 5:02
5. “Archetype” (Herrera/Wolbers) – 4:36
6. “Corporate Cloning” (Herrera/Wolbers) – 4:24
7. “Bite the Hand That Bleeds” (Herrera/Wolbers) – 4:09
8. “Undercurrent” (Herrera/Wolbers) – 4:05
9. “Default Judgement” (Herrera/Wolbers) – 5:24
10. “Bonescraper” (Herrera/Wolbers) – 4:12
11. “Human Shields” (Herrera/Wolbers) – 5:16
12. “Ascension” (Fear Factory/Rhys Fulber) – 7:05
13. “School” (Cobain; Nirvana cover) – 2:38

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Como disse mais acima, no fim de 2002 o Fear Factory passou por sérios problemas, que quase acabaram com o grupo. Mas, felizmente, eles conseguiram superar essas questões, e com a formação reformulada, agora com Christian Olde Wolbers na guitarra, e Byron Stroud no baixo, gravaram esse disco, que de certa forma resgata o estilo mais clássico do grupo, com boas semelhanças com o disco “Demanufacture”, já que os elementos eletrônicos são menos frequentes, só que com menos agressividade, já que o aspecto melódico é bem marcante durante boa parte das músicas.

E a perda de Dino Cazares não significou perda de qualidade na composição das músicas, nem no trabalho de guitarra, que é muito bem executado por Christian, o que não gera saudade do gordão. São 13 músicas, incluindo um cover do Nirvana (que até ficou bastante bom), pela primeira vez desde o álbum Demanufacture, sem abordar o conceito de homem-máquina, e, como disse, com o lado melódico bastante em voga, o que, misturado com o também já citado estilo mais característico da “era Demanufacture”, fez o álbum conseguir sucesso de crítica, e até de vendas, já que foi lançado por uma gravadora pequena, longe de ter o mesmo apelo comercial da Roadrunner.

É meu segundo álbum preferido do Fear Factory, com praticamente todas as faixas sendo excelentes e bem recomendáveis, mas com destaque para “Slave Labor”, “Act of God”, “Archetype” (com a melhor das incursões melódicas, do álbum) e “Drones” (melhor canção do disco).

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Transgression (2005)

Transgression

Transgression

Ficha Técnica:

1. “540,000° Fahrenheit” – 4:28
2. “Transgression” – 4:50
3. “Spinal Compression” – 4:12
4. “Contagion” – 4:39
5. “Empty Vision” – 4:55
6. “Echo of My Scream” – 6:58
7. “Supernova” – 4:32
8. “New Promise” – 5:13
9. “I Will Follow” (U2 cover) – 3:42
10. “Millennium” (Killing Joke cover) – 5:26
11. “Moment of Impact” – 4:03

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Lançado apenas um ano após o excelente “Archetype”, esse álbum, “Transgression”, continua mantendo o estilo mais clássico do som do Fear Factory, resgate esse que foi muito bem feito, e conjugado com toques mais melódicos, que combinaram perfeitamente com o lado mais caótico do som desses caras. E essa tendência continua presente neste disco, apesar de ser menos bom que o antecessor. Boa parte dessa menor qualidade, pode ser atribuída a dois fatores: às pressões da gravadora, que os obrigou a terminar de gravar o álbum e possibilitar seu lançamento, muito antes do tempo previsto; e à produção do disco, o primeiro, desde o “Obsolete”  que não ficou a cargo de Rhys Fulber, o que gerou crítica até mesmo dos membros da banda, como de Christian, com relação ao som da guitarra, que ficou meio “magro”, além da caixa da bateria estar mais metálica.

Porém, essas questões não tornam o “Transgression” ruim, de modo algum. São 11 músicas muito bem compostas e tocadas, incluindo dois covers um tanto quanto peculiares, mostrando que essa formação tinha muito “cartucho pra queimar”, principalmente com mais tempo para elaborar e gravar as músicas, já que mesmo com um calendário apertado, conseguiram criar um disco tão bom quanto os outros da carreira do Fear Factory.

Como melhores faixas, cito “540,000 Degrees Fahrenheit”, “Transgression” (a melhor do álbum), “Spinal Compression”, “Millenium” e “Moment of Impact”.

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Dias Atuais

Depois da gravação e da turnê do álbum “Transgression”, o Fear Factory entrou em hiato, com seus integrantes lançando projetos paralelos. Burton C. Bell participou do vocal de algumas músicas do álbum “The Last Sucker”, do Ministry, além de ter gravado o primeiro trabalho da sua banda Ascension of the Watchers. Já Raymond Herrera e Christian Olde Wolbers juntaram-se a dois integrantes da banda Threat Signal, sob o nome de Arkaea, e lançaram um álbum esse ano, que lembra bastante o estilo do Fear Factory, inclusive com Christian dizendo que metade dessas músicas deveriam ser incluídas no próximo álbum do Fear Factory.

Mas, a pior notícia possível ocorreu, também esse ano, quando Burton C. Bell e Dino Cazares resolveram reatar a amizade, o que por si só é algo bastante positivo, o que possibilitaria até uma reunião dos membros originais do Fear Factory… Isso se eles não tivessem decidido dispensar Christian e Raymond, colocando Byron Stroud e Gene Hoglan em seus lugares, para fazerem uma nova turnê e gravarem um novo disco, usando o nome da banda. Só que Christian e Raymond entraram na justiça, e o nome Fear Factory foi impossibilitado de ser utilizado por essa nova banda, que já está em estúdio gravando o novo álbum, pra ser lançado no começo de 2010. Só não se sabe com que nome, e em qual gravadora. Assim como não dá pra saber o que irá acontecer no futuro, e se Raymond e Christian vão impedir que Dino e Burton utilizem o nome do Fear Factory, e, mais ainda, se vão lançar algum novo trabalho. Veremos.

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E, chegamos ao fim de mais um post, depois de um longo tempo. Eu prometi que ia tentar escrever menos, e até que consegui, haja visto meus antigos padrões. Mas o texto ainda ficou imenso, já que tratei da discografia inteira de uma banda. Só que eu gostei de fazer isso, e continuarei a fazer postagens desse tipo, por um tempo, até voltar a falar das minhas bandas preferidas.

Espero que vocês, meus queridos leitores, apreciem tudo que disse, gostem da banda, e, se possível baixem uns discos, que não vão se arrepender.

Soul of a New Machine

O presunto está vivo.

Mudando e permanecendo igual

Publicado em Machine Head, Músicas para os Posers por naosoutroo em 27/06/2009
"I want to play a game..." - Jigsaw

"I want to play a game..." - Jigsaw

No último capítulo, Otávio Pedro descobriu que sua mãe, Cecília Gertrudes, na verdade o encontrou dentro de um valão, e que resolveu adotá-lo, para que ele não fosse devorado pelos barrigudinhos, e…

Opa, começo errado. =)

Na verdade, no último post, eu falei sobre um pouquinho da história do Machine Head, uma de minhas bandas preferidas, precursora de um novo gênero, que fez muito sucesso com seu álbum de estreia, o “Burn My Eyes”, apesar de um de seus integrantes não ser tão novato assim, na “cena”, já que o vocalista/guitarrista Robb Flynn já fora membro da banda de Thrash Metal da Bay Area, “Vio-Lence”. Mas, essa foi o debut dele como cantor, principal compositor e letrista, e fez um trabalho elogiável, não só por mim, mas pelo o mundo. No meio da turnê, o baterista Chris Kontos começou a não querer mais tocar em alguns shows, fazer um “corpo mole”, e acabou sendo demitido, sendo contratado para o seu lugar o atual membro da banda, Dave McClain, o que eu considero uma escolha de muita sorte e competência, já que acho esse careca um dos melhores do ramo, no metal moderno.

Depois de dois anos fazendo shows pelo mundo, inclusive tocando como banda de abertura para a turnê do disco “Divine Intervention”, do Slayer, a banda voltou ao estúdio, novamente junto do produtor Colin Richardson, que trabalhou com eles no primeiro álbum, e que também já produziu outras bandas famosas e importantes, incluindo o Carcass, no seu clássico registro “Heartwork”, para compor e gravar esse novo projeto, lançado no ano de 1997, com 10 músicas, chamado…

The More Things Change…

Ficha Técnica:

  1. Ten Ton Hammer” – 4:14
    The More Things Change...

    The More Things Change...

  2. Take My Scars” – 4:20
  3. “Struck a Nerve” – 3:34
  4. “Down to None” – 5:28
  5. “The Frontlines” – 5:51
  6. “Spine” – 6:38
  7. “Bay of Pigs” – 3:46
  8. “Violate” – 7:20
  9. “Blistering” – 4:59
  10. “Blood of the Zodiac” – 6:38
  11. The Possibility of Life’s Destruction” – 1:31 (Discharge cover) (Digipak Bonus Track)
  12. “My Misery” – 4:42 (Digipak Bonus Track)
  13. Colors” – 4:39 (Ice-T cover) (Digipak Bonus Track)

Mantendo o estilo do “Burn My Eyes”, esse álbum é mais um dos clássicos do “groove metal”, apesar de trazer algumas diferenças, em relação ao debut da banda. Nada de muito revolucionário, como o que ocorreria dois anos depois, com o “The Burning Red”, mas algumas mudanças, com algumas músicas com uns efeitos “modernosos” de guitarra, e o Robb soando mais melódico, em certas linhas vocais. E a adição de Dave nas baquetas deu uma boa “liga” para a banda, mantendo o alto nível das composições e execuções das músicas, como aconteceu no disco anterior, com riffs fantásticos, pra “bater cabeça” com gosto, boa presença do baixo em todas as músicas, vocais variados, mas sempre com agressividade e uma raiva incontida, elementos nítidos da música do Machine Head, contrastando com certa melodia e sutileza, em outras passagens, bateria muito bem tocada, breakdowns, solos muito bons… Enfim, tudo que você sempre quer encontrar num álbum de Révi Metaw.

Para falar das músicas, devo dizer antes que, sinceramente, o “The More Things Change” não se trata exatamente do meu álbum preferido, do MH. Não que ele seja ruim, mas também não o considero muito bom. Ele é bom, e ponto. Dentre os seis registros da banda, ele está em 4 lugar na minha escala de preferência (Sim, eu faço um ranking entre os álbuns que eu mais gosto, das bandas que mais gosto, ranking esse que é praticamente imutável, e que eu me lembro com exatidão, quando perguntado. E faço o mesmo com as músicas, também. Elenco todas, seguindo minha ordem de preferência. Sim, eu sou um sujeito estranho e metódico.), superando apenas os dois discos mais controversos, “The Burning Red” e “Supercharger”. Porém, isso acontece mais pelos meus três preferidos, “The Blackening”, “Through the Ashes of the Empire” e “Burn My Eyes” estarem na minha lista de melhores de todos os tempos, do que por qualquer outro motivo.

Outro fator importante, é que considero essas 10 faixas como bem medianas. Não absurdamente boas, nem absurdamente ruins, o que torna um pouco complicada, a minha tarefa de escolher algumas poucas, para falar com mais aprofundamento. Mas, fá-lo-ei, com a já conhecida sagacidade, para o deleite de todos.

Como primeiro destaque, cito a primeira canção, “Ten Ton Hammer”, que tem um começo meio diferente, com guitarras cheias de efeito, batidas de bateria, para depois introduzir um riff bastante pesado, que vai comandar a música. Nisso, Robb começa a “declamar” a letra da música, de um modo meio que sussurando de ódio, para depois cantá-la, de modo mais sutil, entrecortado por berros. Letra aliás, que é muito boa, falando de ódio pelos outros, e de problemas internos, de forma raivosa mas contagiante, que dá vontade de sentir raiva junto. Excelente começo para o álbum, nessa faixa que também conta com ótimas passagens para banguear, além do impecável trabalho de baixo e bateria.

A segunda música, “Take My Scars”, tem em sua letra uma crítica feroz à estrutura das religiões, dizendo no refrão que: “existem meios melhores para se quebrar as paredes da vida” refrão este cantado de forma mais branda, por Flynn. A música começa com as guitarras tocando um riff que soa bem peculiar, aos ouvidos, para depois o baixo de Adam Duce aparecer, bem audível, por alguns segundos, fazendo a introdução da música, que depois vira uma grande pancadaria, com um riff BEM pesado. Depois de um tempo, temos também o solo, tocado por Robb, que no começo lembra um pouco as maluquices que o Tom Morello faz na guitarra, com sons parecendo uns “scratches” (coisa de mano do gueto), mas depois vira um “solo de verdade”, bem rápido e bom de ouvir. Minha favorita.

Outra faixa  notável, é a terceira, “Struck A Nerve”, que deixe um pouco de lado o “Groove Metal”, pra entrar com uma voadora no “Thrash Metal”, sendo a mais curta e agressiva do disco, pelo menos até a metade dela, onde fica um pouco mais cadenciada, mais arrastada, contando com a participação do baixista Adam Duce, no backing vocal, pra dar mais caos à música, que fala sobre a necessidade de lutar na vida, de lidar com gente idiota, de merda, e passar por cima dessas pessoas, e que tem a frase-título do álbum, na letra. Outra que eu recomendo.

Como última canção a ser comentada, temos “Blood of the Zodiac”, que eu considero a mais diferente e mais intrigante de todas as 10, embora isso não signifique pouca qualidade. Pelo contrário. É uma música um pouco maior que a média das outras, um pouco mais lenta, também, com a melhor introdução do disco, e uma das melhores da carreira do MH, com as guitarras e a bateria dando um show de como “criar um clima musical”.  Como disse, essa canção é um pouco mais compassada que as outras, mais arrastada, mais pesada, mais “groovy”, e também por isso, é cantada de um jeito mais “bonitinho”, pelo Robb, que, cá entre nós, tem uma voz bonita pra caramba; e tem uma letra que fala de um homem que decide cometer suicídio, como forma de expurgar seus pecados, outra boa composição. E a música segue assim, lenta e diferente, por todos os 06:38 min, encerrando mais um bom trabalho desses americanos, que amargariam um período de críticas ferrenhas e ostracismo, para depois ressurgirem, das cinzas do Império.

Essa foi a primeira fez que essa música foi tocada ao vivo. O vídeo é de Luxemburgo, no começo de Junho.

Em breve, falarei do álbum “The Burning Red”, que trouxe uma série de mudanças para a banda, principalmente, mudanças musicais, que foram severamente criticadas, transformando o Machine Head de sucesso inquestionável, em fracasso execrável, para os olhos e ouvidos de alguns.

Não sei o que escrever.

Não sei o que escrever.

De queimar os olhos… e ouvidos

Publicado em Machine Head, Músicas para os Posers por naosoutroo em 25/06/2009
Que rapazes bonitos!

Que rapazes bonitos!

Depois de alguns muitos dias de ócio criativo, falta de ânimo, paciência, vontade, etc, etc, etc, para escrever nessa bodega, principalmente porque meus textos são infimamente pequenos, como vocês já puderam observar, decidi hoje fazer algo diferente, e falar da discografia inteira de uma banda, em posts mais curtos, e sequenciais. E, segundo os inúmeros pedidos de todos, falarei sobre o Machine Head, excelente, fantástica e maravilhosa banda, que pra mim é a melhor banda surgida nos últimos 15 anos, sem sombra de dúvida.

Esses americanos (apesar do Robb Flynn ter cara de chicano), da cidade de Oakland, em 1992, depois que o Robb saiu da banda Vio-Lence (que eu indico ferrenhamente, sendo uma excelente representante do Thrash Metal, apesar do vocal de merda), onde ele era um dos guitarristas,  junto do baixista Adam Duce, e depois de um tempo, o guitarrista Logan Mader, e mais o baterista Chris Kontos, formaram o Machine Head (cujo nome não tem absolutamente nada a ver com a música homônima do Deep Purple), assinaram contrato com a gravadora Roadrunner Records, e partiram para gravar o disco…

Burn My Eyes

Ficha Técnica:

1. “Davidian” – 4:55

Capa do Disco

Capa do Disco

2. “Old” – 4:05

3. “A Thousand Lies” – 6:13

4. “None But My Own” – 6:14

5. “The Rage to Overcome” – 4:46

6. “Death Church” – 6:32

7. “A Nation on Fire” – 5:33

8. “Blood for Blood” – 3:40

9. “I’m Your God Now” – 5:50

10. “Real Eyes, Realize, Real Lies” – 2:45

11. “Block” – 4:59

12. “Alan’s on Fire” – 4:00 (Poison Idea cover; Digipak Bonus Track)

Esse disco, do ano de 1994, é um dos melhores, mais famosos e comercialmente mais bem sucedidos álbuns do chamado “groove metal”, na história (sendo o maior sucesso comercial da história da Roadrunner, com 400.000 cópias vendidas em todo mundo, até ser ultrapassado nessa marca pelo álbum de estreia do Slipknot), além de ser um dos melhores debuts do metal . Esse gênero musical, que seria algo como um thrash metal mais distorcido, com afinações mais baixas, mais “arrastado”, como o próprio nome diz, tem como principais representantes os álbuns “Cowboys From Hell”, “Vulgar Display of Power”, “Far Beyond Driven” (todos do Pantera) e “Chaos A.D” (Sepultura), dos quais falarei em tempos vindouros, demonstrando a qualidade do “Burn My Eyes”, que recebe comparações com esses álbuns (eu o acho melhor que todos eles.)

As 12 músicas do disco, entre elas um cover da banda de punk, Poison Idea, possuem uma mistura das passagens mais arrastadas e grooveadas do já citado Pantera, com alguns toques de velocidade e agressividade de bandas como o Slayer dos anos 80, gerando comparações estilisticas com essas e outras bandas, sem que isso signifique uma cópia. É apenas a clara observância dessas influências e elementos em comum, que foram absorvidos, trabalhados, metamorfizados, e resultaram no som característico da banda, do álbum.

Como principais destaques no que tange à construção das músicas em si, e não das músicas propriamente ditas, é imprescindível notar a proeficiência de cada membro da banda, com seu respectivo instrumento, principalmente as guitarras e a bateria, exemplarmente tocadas, com Robb e Logan compondo e tocando os riffs de modo impecável, o que não é nada surpreendente, no caso de Flynn, se analisarmos o que ele fazia no Vio-Lence, assim como o vocal do mesmo, que, apesar de ser sua primeira incursão como vocalista e frontman, o faz magistralmente, com a perfeita entonação para as músicas, com berros que mesclam suavidade e raiva ao mesmo tempo (segundo a Jacqueline), e uma boa variedade nas execuções.

E como destaques entre as faixas, eu cito todas as 8 iniciais, com especial atenção para a primeira música, “Davidian“, com uma excelente introdução, riffs ótimos, bom solo, letra muito bem escrita (assim como em todo o resto do álbum, felizmente, o que demonstra mais um acerto da banda, em temas que tratam sobre abusos físicos e mentais, críticas sociais, uso de drogas, revoltas sociais, beligerância, críticas religiosas, todas a cargo de Robb), e um ótimo vocal; “A Thousand Lies“, melhor canção do álbum, com a melhor letra, melhor solo, melhor vocal, melhores riffs, melhor tudo; e “A Nation on Fire“, onde as influências de Slayer podem ser claramente observadas, principalmente no último minuto de música, numa parte bastante acelerada. Mas, não limitem sua audição somente à essas três músicas, já que as 12 músicas são realmente excelentes, metal da melhor estirpe, independente de rótulos, que deve ser apreciado e venerado, principalmente por se tratar de algo que marcou época, criou novas tendências na música (algumas muito controversas, é verdade), causando grande estardalhaço na “cena” dos anos 90, que estava em franco declínio. Uma obra de arte, indubitavelmente.

(Não reparem o visual do Robb Flynn, nesses últimos dois vídeos. Todo mundo comete erros…)

(Além disso, é possível perceber a presença dos antigos membros Logan Mader, na guitarra, e Chris Kontos, na bateria.)

No próximo post, continuarei a falar sobre o Machine Head, desta vez tratando sobre o disco “The More Things Change”. Espero que vocês gostem desse novo estilo de escrever, leiam, comentem, e digam que me amam.

Gosto de comer Presuntinho.

Gosto de comer Presuntinho.

A boa e velha sutileza alemã

Publicado em Kreator, Rédbenz por naosoutroo em 11/06/2009
Kreator-Extreme_Aggression-Frontal

Não achei nenhuma foto do Pleasure to Kill, mas nessa dá pra ver a cara dos mancebos que o gravaram. Inclusive, a franja emo do Mille Petr00zza.

Devido a uma recentíssima mudança no meu top 10 (para ser mais exato, uma mudança feita nesse exato momento), falarei hoje do Kreator, que até então ocupava a sexta posição, mas depois de uma reanálise, subiu para o quarto lugar, ultrapassando assim Megadeth e Death, respectivamente. Fiz isso, pois hoje parei para ouvir a discografia toda da banda, e “descobri” que gosto de todos os álbuns, tirando o Endless Pain, e acho-os de um nível gravitando entre o muito bom e o excelente, portanto, motivo mais que o suficiente para essa subida dos alemães em meu escalonamento de qualidade musical.

O Kreator é uma banda que descobri relativamente tarde, aos 15 anos, após já estar ficando de saco cheio de ouvir basicamente Metallica, Slayer e Iron Maiden, e resolvi buscar na Wikipédia sobre “Thrash Metal”, e procurar bandas semelhantes com essas que já ouvia. Aliás, esse era o meio que utilizava para conhecer novas bandas, e foi assim que formei quase todo o meu arcabouço musical, ao longo desses anos. Eu, ainda com internet discada (o que facilitava MUITO a minha vida), buscava pela banda na Wikipédia, tendo como referência as similaridades que elas possuíam com os três supracitados artistas, lia os reviews dos álbuns feitos pelo site AllMusic.com, e de acordo com esse review, baixava um disco, para conhecer, e se gostava, dava um jeito de pegar a discografia toda, nem que demorasse uma semana para acabar (o que era algo frequente). E assim eu conheci o Kreator, através do LP “Pleasure to Kill” (do qual falarei daqui a pouco), e com canções como a faixa-título, “Riot of Violence”, “Under the Guillotine”, fui “fisgado” pelo som, de modo inescapável, busquei conhecer o resto, e aí foi história. Esse parágrafo foi só para vocês ficarem com pena de mim, por ser um excluído digital e musical, e para verem que nunca desisti do meu sonho, de conhecer as bandas mais fantásticas do mundo, o que me inclui no seleto rol de tr00-metal-warriors-from-norwegian-rain-forests-of-death-born-in-hell. E isso também me tornou uma pessoa digna de continuar viva, já que, quem não gosta de Kreator ou de Slayer, é um hiper-ultra-master-motherfucking-tchola, e merece ter sua vida ceifada por uma tribo de pigmeus-jebudos-necrofílicos-canibais de Burkina Faso. Enfim.

Falando de história, o Kreator foi formado no ano de 1982, na cidade de Essen, Alemanha, com o nome de Tyrant, por Mille Petr0zza (guitarra e vocal), Rob Fioretti (baixo) e Jürgen “Ventor” Reil (bateria e vocal, em algumas músicas), mudando o nome para Tormentor, pouco tempo depois. Com essa formação, lançaram duas demos, e foram seguindo a vida, até o ano de 1985, quando assinaram com a gravadora Noise Records, mudaram o nome da banda uma última vez, para Kreator, já que Tormentor era o nome de uma banda da Hungria, e em 10 dias gravaram o seu disco de estreia, chamado “Endless Pain”. Particularmente, esse é o único registro do Kreator que não gosto muito. Não que seja de todo ruim, mas é uma música muito disforme, muito brutal, muito suja e agressiva, sem que esses elementos sejam moldados de forma a torná-la agradável. A fraca produção também não ajuda, apesar desse disco servir como influência para várias bandas vindouras, de black e death metal. Por esse motivo, não farei uma análise detalhada das músicas do mesmo, como costumo sempre fazer com os álbuns que falo, aqui, mas não deixarei de citar alguns pontos altos, que são as músicas “Total Death”, que contém riffs muito bons, bateria martelante, e um Ventor* cantando como um pioneiro do estilo gutural que dominou o ainda infante estilo Death Metal; “Tormentor”, a faixa mais acelerada do LP, com um incrível riff inicial, bateria destruidora, e presença constante nos shows da banda, ao longo dos anos. e principalmente, “Flag of Hate”, melhor canção do álbum, que inicia com um “mini-solo” de bateria, para depois se encaminhar para um riff devastador, os vocais insanos de Ventor*, vociferando essa letra cheia de raiva e brutalidade incontida, com um refrão bastante “pegajoso”, e solo de explodir os tímpanos e o cérebro. Se você ficou impressionado com o que eu disse, e acha que é algum exagero, ouça-a ao vivo, para confirmar o que disse. Uma das melhores músicas do Kreator, indubitavelmente.

*Um fato curioso, é que o baterista Ventor é quem canta nesse álbum, porque Petrozza ainda não tinha treinamento  suficiente para liderar os vocais.

A vida seguiu, o “Endless Pain” fez moderado sucesso, e no ano de 1986, o Kreator, antes de gravar seu segundo trabalho, contratou o guitarrista Jörg “Tritze” Trzebiatowski (nome difícil dos infernos, pra escrever), para comandar as 6 cordas, junto de Petr00zza, acrescendo assim o poder de fogo da banda, aumentando o…

Pleasure to Kill

Esse é o álbum onde, indiscutivelmente, o Kreator cementou o nome como uma das maiores bandas de Metal em geral, de todos os tempos, e a melhor banda europeia de Thrash Metal, marcando época, servindo de influência inconteste para 9 entre 10 bandas de Death Metal, (pelo menos para as bandas realmente boas), e rivalizando em “brutalidade pensante” com discos como “Reign in Blood”, do Slayer, “Darkness Descends”, do Dark Angel, dentre outros. Tudo isso é conseguido, devido ao irrefutável salto de qualidade, tanto musical, quanto sonora, de produção, em relação ao registro anterior, dessa vez com os vocais liderados majoritariamente por Mille, com exceção de três músicas, vocais ríspidos, agressivos, rasgados, que conseguem transmitir bem toda o ódio e a sanguinolência contida nas letras, mas ainda assim, compreensíveis, bastante audíveis, sem tornarem-se maçantes ou irritantes. Outro fator importante, é a adição de um novo guitarrista, o que possibilitou maior dinamismo nas músicas, com “trocas” de solos, cada um mais nocivo que o outro, entre Petrozza e Jörg, e melhor qualidade nos riffs de todas as músicas, riffs que são o carro-chefe da música do Kreator, assim como a bateria avassaladora de Ventor, um dos melhores em seu instrumento, até os dias de hoje.

A primeira faixa do disco, “Choir of the Damned”, é na verdade uma introdução, com 01:40 min. de duração, bastante calma e bonita, com guitarras harmonizadas, som de ventos soprando, e uma metade final tão bonita e plácida, que faz o ouvinte pensar que está ouvindo um disco qualquer de uma bandinha gótica-alegre.

Mas basta a introdução acabar, e se iniciar o primeiro segundo da segunda música, “Ripping Corpse”, para você perceber que não há nada além nesse disco, do que uma maldade pulsante, um espírito destruidor insaciável, que pretende rasgar, como o próprio nome dessa segunda música diz, os corpos de quem ouve, tudo isso com um extremo prazer em matar. É assim que me sinto, após ouvir esse LP em sua completude. “Ripping Corpse” começa com um riff extremamente pesado, e uma bateria tão rápida que não te deixa se recuperar das pancadas que você leva na cabeça, a cada batida. Logo em seguida, entra o vocal de Mille, provando que é o ideal para a música do Kreator, cantando de uma maneira maníaca, insana, dizendo que o ser chamado “Ripping Corpse” está na sua cidade, para matar a você e a sua família, que é melhor correr, antes que seja tarde, e você possa sentir o machado dele cortando suas costas. Bastante dócil. Nisso o primeiro solo do álbum irrompe pelas caixas de som, de modo caótico, o que lembra muito o estilo do Slayer no “Reign in Blood”, o estilo “briga de gato”. E Mille continua dizendo que você começar a suar, começar a chorar, enquanto observa seu primeiro filho morrer, deseja que fosse um sonho, enquanto ele come o coração de sua esposa, e rasga a vagina dela por dentro, fazendo saber que é sua vez, já que todos os outros morreram.  E a música continua, repleta de riffs violentos, e letra sanguinária, explodindo em mais um solo vertiginoso, que deixa o ouvinte atordado, acabando assim com essa “tortura musical”. Excelente modo de se começar um disco.

A terceira canção, “Death Is Your Savior”, tem o vocal comandado pelo baterista Ventor, o que não é nenhum sinal de baixa qualidade, já que ele conduz muito bem os trabalhos no microfone, com uma voz tão furiosa quanto a de Mille. Essa música começa com um ótimo riff, e um trabalho muito bom da bateria, rápido, pesado, variado, criativo, alucinante. Uma maravilha. E o ritmo dela continua alucinante, com um riff que me lembra um pouco algo do álbum “Show no Mercy”, do Slayer, o que é uma demonstração de extremo bom gosto, enquanto Ventor canta sobre um deus da guerra que lutou até a morte, mostrando para o planeta quem é que manda. Mais ou menos no meio da música, o riff principal dá lugar a outro riff, tão bom quanto, e começa o solo, mantendo o estilo “200 km/h” e dedos pegando fogo, que dominará todo o álbum. Após o solo, há uma pequena quebra no ritmo dos instrumentos, com o vocal continuando rápido, até voltar para a pancadaria inicial, e novamente aquele riff que me lembra Slayer começar, dando sequência a mais um solo perfeitamente executado. E agora eu consigo me lembrar com qual música do Slayer, “Death Is Your Savior” parece: Evil Has No Boundaries. Não é exatamente igual, mas me lembra um pouco, sim. O que não muda em nada a opulência desse espetáculo musical, criado pelo Kreator.

A próxima faixa, é a faixa-título, “Pleasure to Kill”, que começa novamente com riffs rápidos e pesados, bateria martelante, vocais tão encolerizados quanto um zebu que tem o rabo puxado, e letras falando sobre violência, destruição, mortes, sangue, e nesse caso, sobre o prazer de matar, falando sobre uma espécie de morto-vivo que sai de sua tumba, com o objetivo de tirar quantas vidas puder. Em meio a essa torrente de podridão musical (no bom sentido), surge mais um solo fantástico, um dos melhores do disco. Depois do solo, começa uma parte mais cadenciada um pouco, com um riff mais arrastado, perfeito para um “bate-cabeça”, que ao vivo, é a parte mais estimulante da música, sem dúvida alguma. Depois desse mais de um minuto “lento”, porém nada leve, a pancadaria retorna, até a música acabar. Esse é um dos maiores clássicos da carreira do Kreator, sendo presença constante nos shows, desde 1986. Todo bom fã de metal deve conhecê-la.

A quinta música, “Riot of Violence”, também é outro clássico eterno do Kreator, sempre executado ao vivo, com os vocais comandados pelo Ventor, assim como no álbum. O riff inicial dessa música é um dos mais famosos de todos os tempos, sem dúvida alguma, assim como um dos melhores também, possuindo um andamento um pouco mais lento e arrastado que os restantes do álbum, o que o tornam mais “grudento”, tornando-a perfeita para um “mosh pit”, ficando mais acelerado apenas quando Ventor berra “Riot of Violence! Riot of Violence!”. A letra segue a rotina de falar de violência, sangue, assassinatos, mortes, e continua com o riff principal, até começar o solo, novamente uma lição de brutalidade para quem ouve, muito, muito, muito veloz. E volta o riff mais arrastado, com a bateria impecavelmente tocada por Ventor, que canta com maestria, para mais um solo, que segue a tônica do anterior. Depois de toda essa alucinação do solo, a música fica bem lenta, com Ventor entoando os versos, de forma assustadora, até com um grito de “Power!”, acabar com a calmaria, um outro riff sagaz começar, e a pancadaria retornar à tona. Depois de mais berros de “Riot of Violence!”, a música acaba, e você se sente como se houvesse sido atropelado por um caminhão carregado de touros bufantes (ainda mais hoje, que estou resfriado pra caramba). A melhor música do álbum.

A sexta canção, “The Pestilence”, segue a mesma toada das anteriores, começando com uma introdução muito boa, na bateria, e depois caminhando para um riff de estragar o pescoço, de tão bom que é pra balançar a cabeça, um pequeno solo, que já dá lugar à patifaria musical, com um riff incrivelmente pesado, bateria de tirar o fôlego, e Petrozza conduzindo o vocal de maneira primorosa, cantando sobre uma peste, mais ou menos parecida com a peste bubônica, que vai trazer morte e destruição ao mundo, cantando mais loucamente ainda, quando chega a hora de falar “Pestilence!”. Essa é a música mais longa do álbum, e também uma das mais pesadas, com seu riff principal sendo inacreditável, de tão fantástico. Mais ou menos aos 02:10 minutos, há uma diminuição no ritmo, onde a bateria de Ventor torna-se o destaque principal, dando uma aula de como se tocar, acompanhada por um riff mais lento, mais arrastado, onde é impossível ficar com a cabeça quieta, impossível ficar sem bater os pés no chão. Nessa parte, também é possível ouvir bem nitidamente o baixo, que dá um toque ainda mais legal para a música, que logo em seguida é tomada por outro riff maravilhoso, muito bem tocado, com a bateria esmagadora, ao fundo. Este é o melhor pedaço de música isolado, do álbum precedindo o solo, solo este que retoma a velocidade, mas dessa vez mesclada com uma pitada pequena de melodia, apesar de majoritariamente ser uma fritação exacerbada. Após isso, ela volta para a toada inicial, com Mille gritando, mais um solo de fazer o queixo cair, e mais uma parte um pouco mais lenta, dessa vez conduzida pelas guitarras e pelo baixo, onde Petr0zza passa a cantar de forma mais compassada, acompanhando o ritmo mais angustiante da música, com alguns breakdowns na bateria, até descambar para o ódio, novamente. Outra música que não pode deixar de ser apreciada.

A sétima faixa, “Carrion”, começa de modo mais lento, com guitarras pesadas e bateria bem variada, para logo depois a bateria se emudecer, e começar mais um dos infindáveis riffs perfeitos que esses alemães sabem compor e encaixar nas músicas. Ele é rápido, é pesado, é insano, é grudento. É incrível. Logo depois, um solo daqueles bem maníacos começa, e Mille começa a berrar, falando que Satã e sua legiões farão o mundo de escravo, sob a égide de sua força infernal. Tão bonito e carinhoso. A música continua desse mesmo jeito, com variação boa entre os riffs, todos de excelente qualidade, até 01:40 min., quando o andamento da música muda, assim como os riffs que são tocados, ora mais acelerados, ora mais lentos, até começar o solo, que tem uma alavancada no começo, fritação, e é bem curto, sendo sucedido por riffs mais cadenciados, no momento “headbanger” da música, riffs esses que continuam, mesmo quando um novo solo surge nos falantes, desse vez um pouco mais lento no começo, mais rápido no final, já acompanhado por uma guitarra base mais veloz, que é perfeitamente tocado, dando lugar a um riff bem pesado, entrecortado por solos curtos, o que vai até a música acabar. Outra ótima composição.

A oitava música, “Command Of the Blade”, novamente cantada por Ventor, começa logo com bateria e guitarras rápidas, num riff meio macabro, meio “filme de terror”, que depois é substituído por outro, dessa vez assustadoramente rápido, que sofre algumas quebras de ritmo, onde pode-se ouvir o vocal cantando “Command Of The Blade”, nessa letra que fala sobre guerreiros lutando até a morte. O ritmo da música fica mais sincopado, até começar o solo, que é o mais lento do álbum, apesar de ainda fritado e nada melódico. Após esse solo, a velocidade volta, com bateria, baixo, guitarras em vocal, em harmonia, executando perfeitamente suas partes na música, criando um equílibrio perfeito entre todos os instrumentos. Mais uma boa música, desse disco que não contem nenhuma que possa ser considerada menos do que ótima.

A nona e última canção, “Under the Guillotine”, é também uma de minhas preferidas do álbum, assim como da carreira do Kreator. O riff inicial é um dos mais perfeitos e alucinantes que já ouvi, principalmente quando tocado ao vivo, com a bateria sufocante, de tão violenta que é. E a música segue com esse riff perfeito, e essa bateria maravilhosa, com a letra, cantada por Mille, falando de alguém que está esperando para ser guilhotinado, o que não deve ser uma experiência lá muito agradável. Como refrão, a música tem apenas Petrozza falando “Under the Guillotine”, o que sempre me faz sentir como se eu tivesse nos calabouços da morte, esperando a minha vez chegar. E essa “transmissão atmosférica” é bastante bem feita, o que deixa a música ainda melhor. Aos 01:45 min., a música é desacelerada, começando outro riff muito bom, para depois engrenar num solo, mais rápido no começo, e depois com um pouco mais de melodia no final, que o deixa entre os melhores de todo o álbum, com certeza. O riff após o solo é novamente mais cadenciado, perfeito para bater cabeça, o que dá uma pausa para você respirar, até começar outro solo, um pouco mais veloz que o anterior, mas ainda mantendo um pé na melodia, até terminar, e voltar para a pancadaria, outro solo, dessa vez bem rápido, Mille gritando “Under the Guillotine” mais umas vezes, até a música subitamente acabar, e assim, acabar esse fantástico disco.

E assim termino de falar sobre essa banda que modificou o mundo do metal, com sua fúria germânica, e escreveu seu nome entre as mais extremas, melhores, mais importantes e mais influenciadoras bandas de todos os tempos. O álbum “Pleasure to Kill”, apesar de excelente, ainda não é o que de melhor esses guerreiros teutônicos tinham para oferecer, o que eu demonstrarei, no tempo oportuno. Foi difícil falar das músicas desse disco sem me repetir, por elas possuírem bastante semelhanças, umas com as outras, e também por faltarem adjetivos em meu vocabulário, para expressar fielmente o impacto que essas odes ao apocalipse tem em quem as escuta. Só realmente ouvindo e apreciando todas as canções, por mais de uma vez, para conseguir deglutir toda a magnificência das melodias tenebrosas que esses quatro possuídos e atormentados homens, criaram.

That's All, Folks

É como olhar num espelho. Só que o reflexo é mais bonito.

Donzelas só no nome

Publicado em Iron Maiden, Músicas para os Posers por naosoutroo em 08/06/2009
Olha que belos rapazes, que belas roupas. Só não são piores que os colants da era Bruce Dickinson anos 80.

Olha que belos rapazes, que belas roupas. Só não são piores que os colants da era Bruce Dickinson anos 80.

Como terceira banda sobre a qual falarei nesse funesto e quase fúnebre blog, chegou a vez da minha também terceira preferida banda, no meu top 10 (Esse é o critério que utilizo para definir de quais bandas falarei, meu gosto pessoal, e a ordem em que as mesmas estão enlecadas nele). Até certo tempo atrás, essa boyband inglesa estava em segundo lugar na minha ordem de preferência, “atrás” apenas do maravilhoso Metallica. Porém, os Cavaleiros a Serviço de Satã (falo do Slayer, não do Kiss), ultrapassaram esses respeitáveis senhores, fato, aliás, que relutei muito em aceitar, o que seria uma desonestidade sem fim, comigo mesmo.

Dessa vez, eu não vou falar completamente da história da banda. Aliás, de agora em diante, não farei mais isso. O meu intuito, é demonstrar minha opinião sobre a banda, sobre o disco em questão, e não contar a história, que pode ser facilmente lida em vários lugares, como por exemplo a Wikipédia. Portanto, quem quiser saber sobre tudo do Iron Maiden, leia esse link http://pt.wikipedia.org/wiki/Iron_Maiden. Contudo, para o assunto não ficar totalmente perdido, farei um apanhado geral dos fatos.

O Nascimento do Eddie

A banda teve seu início em 1975, quando Steve Harris, baixista, ex-integrante de algumas bandas de rock na cidade de Londres, decidiu criar a sua própria, tirando o título “Iron Maiden” do filme “O Homem da Máscara de Ferro”, cujo mote era um sujeito com a cara presa numa… máscara de ferro (que peculiar, não?), chamada de “Iron Maiden”, ou donzela de ferro, no português. Meses depois, juntou-se a ele o guitarrista Dave Murray, o único outro integrante, além de Harris, que está na banda desde o início.

O tempo foi passando, integrantes foram entrando e saindo da banda, sem nada de muito significativo acontecendo, até o ano de 1978, quando o vocalista Paul Di’Anno, ávido fã de bandas punks, como Sex Pistols e The Clash, entrou no grupo, trazendo elementos dessa sua influência musical para o som do ainda infante Iron Maiden, que passou a possuir toques característicos da NWOBHM, mesclados com punk, dando um teor diferenciado para a sua música, em relação a artistas contemporâneos, o que pode ser bem observado nos dois primeiros álbuns do Maiden, o auto-intitulado Iron Maiden (do qual falarei a seguir), e o Killers, ambos, os únicos que contam com o vocalista Di’Anno, e consequentemente, com sua irrefutável representatividade no teor sonoro do conjunto. Ainda nesse mesmo ano, contando também com o baterista Doug Sampson nas baquetas, o Maiden gravou a demo tape “The Soundhouse Tapes”, uma das mais famosas e valiosas de todos os tempos, pelo raridade de ser encontrada, que continha 3 músicas: “Invasion”, que só foi ser gravada no terceiro álbum, “The Number of the Beast”; “Iron Maiden” e “Prowler”, encontradas no debut da banda. Essa demo tape fez um sucesso avassalador, vendendo muitas cópias em pouco tempo, chegando ao topo das paradas britânicas, como músicas mais tocadas, alavancando o nome do grupo. No ano seguinte, eles continaram tentando achar um segundo guitarrista, para fazer par com Dave Murray, sem muito sucesso, foram abandonados por Doug Sampson, chamaram o guitarrista Dennis Stratton para completar o time, que trouxe consigo o seu amigo baterista Clive Burr. No apagar das luzes para se iniciar a gravação do primeiro álbum assinaram contrato com a gravadora EMI, parceira comercial até os dias de hoje, disco esse chamado…

Iron Maiden

Como muitas bandas fazem, talvez por um pouco de falta de criatividade, ou para fixar bem o nome escolhido, para o seu público, o primeiro álbum desses mancebos da terra da rainha, é auto-intitulado. Composto por 8 faixas, totalizando pouco mais de 37 minutos, esse é um dos álbuns mais importantes da história do metal, por ser um dos mais famosos e bem executados registros da NWOBHM (que tem no Iron Maiden o seu maior e melhor representante), e por misturar essas características de Heavy Metal, com uma “levada punk”, proveniente da já discutida influência de Di’Anno no som da banda. Ao ouvir esse disco, você percebe muito bem a marcante presença de um estilo mais “relaxado”, nos vocais, com um leve ritmo acelerado no andamento das músicas, mas sem fugir muito do instrumental padrão do Heavy Metal. O Maiden, nesse período pré e pós gravação do primeiro álbum, sofreu muitas tentativas de convencimento para mudar o estilo, de forma a migrar definitivamente para o punk, muito em voga na Inglaterra do ínicio dos anos 80, mas decidiram que era mais correto se manterem verdadeiros com o metal. Apesar disso, o álbum fez muito sucesso, de crítica, público e comercial, abrindo as portas para todo o superveniente sucesso que a banda alcançaria, dominando o mundo pelos próximos 10 anos, no mínimo.

A primeira música, “Prowler”, começa com uma das guitarras iniciando o riff principal da música, e com a outra fazendo um “solo”, para criar uma espécie de introdução para o disco, logo depois iniciando o vocal e entrando a bateria, ambos marcando a tão falada presença do punk, no som da banda. O vocal de Di’Anno, apesar de longe de ser tão bom quanto o de seu substituto, Bruce Dickinson, cumpre muito bem o papel nesse álbum, fazendo um conjunto perfeito com o instrumental, e dando a entonação certa para o que está cantando, criando uma harmonia perfeita entre voz, letra e instrumentos. Falando em letra, a dessa música trata de algo no mínimo estranho, ao falar de um tarado que sai pelas ruas, para se masturbar, vendo moçoilas em trajes provocantes. Esse, aliás, é um grande defeito dos debuts das grandes bandas. O teor pueril, inocente, e vazio de conteúdo útil, das letras, o que destoa um pouco da qualidade sonora. Tudo bem que isso é aceitável, em se tratando de anos 80, jovens querendo expressar rebeldia através de suas guitarras e berros ao microfone, querendo, acima de tudo, chocar pais, professores, amigos, e buscando demonstrar a raiva que sentiam, numa época mais repressora que a atual. Porém, esses clássicos seriam ainda mais clássicos, com canções possuidoras de conteúdo lírico melhor e mais inteligente, como o presente nos discos posteriores dessas mesmas bandas (tirando o Slayer, que transita entre falar bem do capeta, falar mal de Deus e da religião, falar de morte, guerras, serial killers, nazistinhas, etc, etc, etc. Mas, Slayer é isso, Slayer é assim, e tem que ser assim. Quem não gosta do Slayer por esse motivo, ou fica criticando a postura da banda, é tão homem quanto o Jorge Lafond. Que Deus o tenha. Ou não.). Por volta de 01:20 min, o ritmo constante é quebrado, para chegar na parte de pré-solo, com guitarras dobradas, viradas de bateria, numa parte muito boa da música, que culmina num solo perfeitamente bem executado, o que aliás é a tônica de todas as músicas do Iron Maiden, em todo o sempre. Depois do solo, a música retoma o ritmo inicial, com Di’Anno cantando de seu jeito displicente, até que no final dela, podemos ouvir uma passagem bem semelhante ao começo, com Clive Burr descendo o braço na bateria. Excelente primeira música.

Prosseguindo, temos a faixa “Remember Tomorrow”, bastante famosa, já sendo alvo de versões por parte de artistas como Anthrax e Metallica, um claro sinal de qualidade. Ela começa com um dedilhado no baixo, e com uns sons meio melancólicos, nas guitarras, para depois entrar a voz e a bateria, em tom bastante suave, bem “baladístico”. Uma maravilha de se ouvir. Somente ao final de cada estrofe, que o volume dos instrumentos é aumentado, assim como da voz, fazendo a música ganhar um pouco mais de peso, mas já retornando à calmaria de outrora. A letra, dessa vez é bastante bonita, sendo uma homenagem de Paul ao seu avô falecido, falando do pesar do ontem, e de lágrimas pela lembrança, e pela alegria, de lágrimas desse menino solitário. Lindo. Ao final da segunda estrofe, a música dá uma acelerada no ritmo, sendo aí a hora do solo, novamente impecável, mesclando certa velocidade, com uma bela melodia, para depois ingressar num pedaço de extrema qualidade técnica, em todos os instrumentos, com o som do baixo do “patrão”, Steve Harris, bem aparente, outro belo solo, mais parte instrumental, para, subitamente, cessar tudo isso, e a levada de “power ballad” voltar a dominar os alto-falantes, até o fim da faixa. Entre as melhores do álbum, com toda certeza.

A terceira canção é “Running Free”, o mais claro exemplar punk do álbum, sendo a mais curta, mais acelerada, mais alegrinha, e mais diferenciada música dentre todas. Começa com umas batidas felizinhas na bateria, depois entra o baixo, Di’Anno fala “Ok.”, as guitarras começam, e logo em seguida, o vocal. A letra é mais uma daquelas infantis, falando de ter dezesseis anos, sem dinheiro, sem sorte, pisando no acelerador sem destino, bebendo, dançando, passando uma noite na cadeia. Correndo livre, como o título diz. É uma música que não gosto muito, a não ser ao vivo, que fica um pouco melhor. Não tenho nada contra músicas simples e “retas”, nem com letras bobas, nem com algo pouco elaborado, só não gosto dessa música (mentira, eu tenho, sim. Não que eu seja um fã chato de Dream Theater, até porque meu conhecimento de teoria musical é tão grande quanto meu conhecimento acerca das etapas de acasalamento de formigas saúvas da Moldávia. Eu apenas não gosto de punk, assim, de músicas punk, não gosto dessas coisas sem atrativos, sem nada que me chame a atenção. Dá pra ser simples, e interessante, coisa que essa música, junto de várias outras, não é, além dela ter um ritmo bem chatinho. Pulem-na.)

Ao contrário da anterior, essa quarta música, “Phantom of the Opera”, é a maior, mais elaborada, mais complexa, e melhor, do disco. Ela começa com guitarras e baixo fazendo uma introdução muito boa e marcante, para a música, e depois de um gritinho do Paul, a bateria entra, dessa vez mesclando entre uma batida punk e algo mais “progressivo”, mais intricado, assim como os instrumentos de corda, que variam entre um andamento mais acelerado, e mudanças de riffs, um melhor que o outro. A música continua, ainda rápida, com essa citada variação de riffs, até os 02 minutos, onde esse andamento mais veloz é quebrado por uma passagem lenta, onde o maior destaque do som fica para o vocal, em primeiro plano, tendo como plano de fundo mais um riff inesquecível, e muito bom, que fica na cabeça de quem ouve, até o começo do solo, o mais melódico do álbum, e também o melhor, que arrepia muito esse que vos fala, sempre que escuto. Mais adiante, ainda no solo, o baixo fica bem aparente, conduzindo a base da música, e as guitarras começam a solar em dueto, dando um soar épico para a música, que depois de um tempo, retorna ao riff inicial, em uma das guitarras, com a outra solando, com ainda mais beleza e melodia. Uma verdadeira exibição de habilidades musicais, de cair o queixo. Por fim, a rapidez inicial novamente dá o ar da graça, enquanto Di’Anno canta os versos restantes, dessa letra que fala do… adivinhem… Fantasma da Ópera! E antes de terminar, a música para, fica tudo em silêncio, até Paul repetir a última frase, de forma ecoante, fantasmagórica. Um clássico.

Abrindo a segunda metade do LP, temos “Transylvania”, uma instrumental, que figura fácil entre as melhores de todos os tempos, rivalizando com as do Metallica, e com “Voice of the Soul”, do Death. Ela começa com as guitarras bem rápidas, e com umas “pancadas” de baixo e bateria, até iniciar a música em si, composta por vários riffs maravilhosos. Ela continua assim, até 01:40 minuto, quando o andamento da música muda, com viradas incríveis na bateria, riffs ainda melhores que os anteriores, baixo bem marcante, e solos, rápidos, melódicos, lindos, inspirados, únicos, sagazes, infindavelmente maravilhosos. Depois do solo, começa um solo dobrado, onde os instrumentos param, ficando apenas as guitarras, com breves aparições dos outros, até a música voltar ao padrão, e engrenar em mais um solo, o melhor de todo álbum, de fazer chorar. Não há muito o que dizer dessa música. Só ouvir, apreciar, e reverenciar os 4 mestres que a tocaram.

A sexta faixa, “Strange World”, é uma balada, a mais lenta do álbum, com um começo dedilhado, meio soturno, e ao mesmo tempo, bastante bonito, encoberto por um solo, logo em seguida, dos mais tocantes que já ouvi, de emocionar, de verdade. O vocal começa a cantar, e a música segue bem tranquila, com a letra falando sobre um mundo estranho, meio alternativo, onde faces sorridentes são raras, e onde você nunca fica mais velho. Algo como uma Terra do Nunca das pessoas tristes (isso que as drogas fazem com as vidas das pessoas. Enfim.). Aos 03:20 minutos, temos mais um solo, tão perfeito quanto o primeiro, incluindo “Strange World” entre as mais lindas obras de arte que já tive contato.

A sétima canção, “Charlotte the Harlot”, diferente da anterior, é bem alegrinha, com um ritmo meio dançante, e inicia uma “trilogia” de músicas sobre o mesmo tema, que foi finalizada no álbum “The Number of the Beast”, canções essas que tratam sobre a prostituta Charlotte, e compõem uma das mais famosas “mitologias” da história do metal. A música é mais uma com bastante tendência punk, com vocais cantados de forma veloz, bateria “tum, pá”, riffs rápidos, e uma letra que fala do dia a dia de “trabalho” da nossa amiga meretriz, que arrebata o coração de quem dorme com ela, e cobra 10 pratas pela “completa” (barato). Depois que o refrão é repetido pela segunda vez, a música fica mais lenta, com o destaque maior para o vocal, voltando depois a ficar rápida, e dando início aos solos, que são acelerados, assim como o resto da música, que prossegue dessa forma, até acabar.

A oitava e última faixa, é a que carrega o título do álbum, “Iron Maiden”, o maior clássico do mesmo, assim como um dos maiores clássicos da história do Iron Maiden, e da história do metal, sendo vastamente conhecida por todos. Apesar de não gostar muito dela, admito que é até legalzinha, boa de cantar ao vivo, mas falta algo para que eu a considere como uma ótima música. Tem o começo com as guitarras tocando o riff principal da música, a bateria novamente punk, com o baixo tocado bem rápido, e bem audível, e uma boa performance vocal, como em todo o restante do álbum. O andamento é praticamente o mesmo, o tempo todo, tendo alguma diferença apenas na parte antes do solo dobrado, onde há uma certa quebrada no ritmo, um mini-solo de baixo, e o recomeço da levada inicial, que dura até o fim. E a letra, trata sobre o instrumento de tortura que dá nome à canção e ao disco, dizendo que não há como escapar do Iron Maiden. Realmente não há.

Depois de 38 minutos, você pode perceber que o Iron Maiden, já em sua estreia, era uma banda que demonstrava muita qualidade, com prospecto de melhorar ainda mais, o que pôde ser observado durante a “era” de Bruce Dickinson nos vocais, onde eles alcançaram o ápice musical, de crítica, de vendas, de público, e escreveram seus nomes entre as melhores bandas de todos os tempos. Mas disso vamos tratar mais adiante.

That's All, Folks

Meu alter-ego.

PS: Sei que ninguém tem a ver com isso, mas, esse post serve como forma de homenagem ao meu avô, uma das pessoas que mais amei e vou amar pra sempre, na minha vida, e sem dúvida nenhuma, o homem mais admirável que já conheci, e hei de conhecer, que infelizmente faleceu, no sábado. Foi uma perda irreparável, não só pra mim, mas pra toda minha família, já que ele era insubstituível, e sei que nunca irá existir alguém igual a ele, nas nossas vidas. Ainda bem que tenho outras pessoas para amar, e amar muito, além de ser amado por elas, como o resto da minha família, amigos, pituquinha, o que me faz suportar melhor tudo isso. Enfim.

Obrigado por tudo, vô. Amo muito você.