Não sou tr00!

Projeto algum número em romano, que não sei qual é

Publicado em Conhece o Mário? por naosoutroo em 27/11/2009

Olá senhoras, senhores, Victo…, ops, pessoas de todas as orientações sexuais. Cá estou eu novamente, para transmitir aos meus 30 leitores diários em média, que visitam meu maravilhoso blog, mais um pouco do meu conhecimento musical (sério, eu não sei como 30 pessoas visitam isso aqui, todo dia. O blog é meu, e nem eu faço isso. Agora, obviamente vocês não leem as coisas que eu posto, e, se leem, não comentam, né? Tá bom de isso mudar. Comentem aí, eu gosto, e respondo todo mundo.). Hoje, eu ia escrever sobre uma outra banda, que é relativamente mais conhecida do que a que falarei agora, além de ser uma de minhas bandas preferidas, no geral, o que tiraria o propósito da minha coluna “Conhece o Mário?”, onde eu tento falar sobre bandas menos conhecidas da galera Rédbenz. Mas, pretendo falar dessa banda preterida, num futuro próximo, já que ela é fantástica, e merece o meu parecer. Por hora, contentem-se com a outra banda sobre a qual eu falarei, já que ela também é fantástica, e com uma proposta sonora MUITO interessante , que, sem dúvida, merece atenção.

Como muitos de vocês sabem, eu tenho verdadeira ojeriza com relação a duas coisas: vocais femininos, no metal, e tecladinhos, ou inserções eletrônicas. Mais com relação ao primeiro, do que em relação ao segundo. E, não precisa que o vocal seja notadamente feminino, agudo, sem “força”. Basta que seja uma mulher cantando, gritando, urrando, guturalizando, o que quer que seja, eu acho odiável e horroroso, e não é por puro preconceito, já que tenho minhas razões para isso. É abominável. Nojento. Pútrido. Ignominioso. Aviltante. (Encaixe aqui os adjetivos de rejeição que mais os aprouver. Grato.) Mas, exceções existem, e essa banda é uma delas. A banda, no caso, é a Project Hate MCMXCIX (para os iletrados na numeração romana, o tio vai ensinar: I = 1, V = 5, X = 10, L = 50, C = 100, D = 500, M = 1000. E, quando você quer falar do numeral anterior às dezenas ou centenas, você coloca a letra correspondente ao numeral imediatamente inferior, na escala (isso também vale para o 5), por exemplo: IV = 4, IX = 9, XL = 40, XC = 90 e por aí vai. No nosso caso, MCMXCIX = 1999). A banda foi formada em 1998 por Lord K (Kenth Philipson) (Aliás, ridículo isso, de se auto-intitular “Lord” de alguma coisa, mas, tudo bem…), que já participou de uma enormidade de projetos (mais notadamente, tocando baixo e guitarra em algumas turnês com o Dark Funeral, e da God Among Insects, banda de Death Metal, que conta com os vocais de Emperor Magus Caligula (/rialto), do Dark Funeral), e era e ainda é, responsável pela maior parte do instrumental e das ideias musicais da banda, e pelo vocalista Jörgen Sandström, que cantou nos 3 primeiros álbuns da seminal banda de Death Metal da Suécia, Grave, além de ter tocado baixo por 9 anos na outra seminal banda de Death Metal da Suécia, Entombed. A partir do segundo registro oficial da banda, ela passou a contar com a vocalista Mia Stahl, que, depois de dois álbuns, foi substituída (felizmente), pela atual vocalista, Jonna Enckell. Fato este que deveria contribuir para eu odiar a banda, certo? Se você disse que sim, lamento informar que você falhou miseravelmente. Por mais incrível que seja, incrível até mesmo para mim, eu adorei a banda, justamente pelo fato dela contar com essa vocalista, que tem uma voz belíssima, e uma capacidade interpretativa que me deixa impressionado, sempre que eu escuto. Obviamente, se ela cantasse todas as músicas, o tempo todo, eu acharia uma merda foda, mas, o contraponto que existe entre os vocais profundamente belos da moça, com os vocais profundamente (dessa vez com um sentido de profundezas do inferno, mesmo) encapetados, do mancebo Jörgen, dá uma dimensão incrível, diferenciada e cativante para as músicas do Project Hate, o que me faz gostar demais dessa banda. Muito embora, além de vocais femininos, eles usem tecladinhos, que, graças a Odin, não são aquela coisa fluorescente e nauseante, como em outras bandas, mesmo de metal extremo. Eles são usados com moderação, mais em partes instrumentais, que servem extremamente para criar um “ambiente” para a música. Mas, vamos deixar de lero-lero (até porque essa porra de texto tá ficando enorme), e seguir para o que interessa.

The Project Hate MCMXCIX – In Hora Mortis Nostræ (2007)

The Project Hate - In Hora Mortis Nostrae

Ficha Técnica:

1. Annihilation of All That is Holy 09:12

2. Crawling Through the Infinite Fields of Carnage 08:29

3. Serenades of Rotten Flesh 08:05

4. For Our Name is Chaos Eternal 09:22

5. Tear Down the Walls of Heaven 08:04

6. And Damnation Is Forced Upon the Weak 09:58

7. The Innocence of the Three-Faced Saviour 12:00

 

 

 

Esse é o sexto álbum de inéditas (se contarmos a primeira gravação deles, do ano de 1998, que só foi lançada em 2003) dos suecos, o que demonstra uma capacidade profícua muito grande, já que são seis álbuns em 9 anos, além de uma criatividade para não se repetir, que é confirmada pelo sucesso de crítica e de público, que eles fazem. Os álbuns anteriores a este, especialmente depois da entrada da vocalista Jonna Enckell, são todos fantásticos, mas, é no “In Hora Mortis Nostrae” eles alcançam seu ápice (que, felizmente, teve seu legado muito bem continuado pelo excelente “The Lustrate Process”, lançado esse ano), tanto técnico, quanto de criatividade, e também no aspecto “viciante”, das músicas, já que todas elas são maravilhosas, diferentes entre si, e grudentas, com riffs, solos, partes vocais, trabalho de bateria, e até mesmo tecladinhos e inserções eletrônicas, que ficam na mente. Neste álbum, eles contam com, além dos três integrantes que já citei, o guitarrista Peter “Mazza” Freed, presente na banda desde 2002 (e que a deixou, posteriormente, ano passado), o baixista Michael Håkansson, presente na banda desde 2005 (e que a deixou, esse ano), e, pela primeira vez na história do Project Hate, com um baterista humano, já que em todos os outros discos até então, a bateria era eletronicamente programada pelo nosso nefasto Lord K, na figura de Daniel “Mojjo” Molainen, que também já foi substituído, mas, cuja presença foi um dos fatores para contribuir com esse ápice criativo e técnico, presente nesse álbum.

As faixas são longas, bem longas, flertando com as mais variadas vertentes do metal extremo, principalmente o Death Metal e o Industrial Metal. São composições com várias mudanças de andamento, estruturas mais “progressivas”, mas que retém, com primazia, os elementos mais característicos da banda, que são esses de Death e Industrial, que eu disse. O andamento das músicas é análogo ao de bandas de Death Metal que optam mais pelo lado grooveado, arrastado, do que pela semelhança com o Thrash Metal, embora tenha horas em que a bateria faz uma batida bem acelerada, com um uso incrível do pedal duplo. Os riffs são criativos, extremamente pesados, que harmoniosamente se integram com o vocal arrebatador e avassalador do Jörgen, que sem dúvida tem um dos melhores e mais cavernosos guturais que já tive o prazer de ouvir. É uma voz vinda das mais profundas profundezas dos vulcões gélidos no Nordeste da Valáquia Oriental, que é muito bem “contrariado”, como dito, pelo belíssimo vocal de Jonna, que possui uma das melhores vozes femininas que já ouvi, o que torna as músicas ora agressivas e surrantes, ora plácidas. Falando em profundezas infernais, nada mais natural do que o vocal ser assim, já que as letras de todas as músicas, não só desse álbum, como da carreira do Project Hate, tem cunho anti-religioso e principalmente anti-cristão, o que nos permite saborear poesias como: “He who claimed he was the truth, He, the helpless, useless fool, The son of a whore who died for you, For nothing” (Ele que clamava ser a verdade, Ele, o idiota inútil, sem ajuda, O filho de uma puta, que morreu por você, Para nada), na música Annihilation of All That Is Holy, ou ” The time to sin is ours, The Nazarene will now go down, The martyr, retribution, Your Messiah’s execution!” (O tempo para pecar é nosso, O Nazareno agora vai cair, O mártir, retribuição, A execução do seu Messias!), na música Tear Down the Walls of Heaven. Como podem ver, algo de uma beleza e de uma docilidade incríveis.

Todas as músicas são recomendadíssimas, principalmente a Annihilation of All That Is Holy (minha preferida), Tear Down the Walls of Heaven e And Damnation Is Forced Upon the Weak num álbum cuja nota não pode ser menor do que 10, já que, além da sonoridade completamente incomum, sombria e embascante, ao mesmo tempo, ele me fez quebrar dois dogmas mais sagrados que a Santa Ceia, que eu tinha na minha vida, e foram literalmente estuprados, depois de conhecer esses caras. Recomendo que, quem gostar do que ouvir, baixe o álbum, e corra atrás da discografia, principalmente atrás do Lustrate Process, que é tão incrível quanto esse álbum que acabei de analisar, e conta com participações especiais de vários caras famosíssimos, na cena tr00-underground-para-os-fortes-de-coração da Suécia, como Christian Älvestam, L.G Petrov e Martin van Drunen, que não é da Suécia, mas é tr00-underground-forte-de-coração.

PS 1: Vídeos do Youtube:

 

PS 2: Download do álbum: Clique aqui para baixar o álbum. Caso peça senha, ela é: “bunalti.com”

Até a próxima, amiguinhos.

7 Respostas

Assinar os comentários com RSS.

  1. paul117 disse, em 27/11/2009 às 23:42

    Já ouvi essa banda banda, que você mesmo mandou, aliás e achei… huum… uma bela merda, principalmente pelo vocal da mulher, não sei o porque dessas mulheres acharem que podem cantar e que cantam bem, deve ser coisa da queimação de calcinhas na fábrica pelos direitos da mulheres.

    • naosoutroo disse, em 27/11/2009 às 23:45

      Embora eu goste da banda, goste pra caralho, principalmente, eu diria, pelo jogo de vocais, eu /rialto do final do seu comentário. -99

      Mas ela é boa, você que é gay. /rum

  2. Victor disse, em 27/11/2009 às 23:47

    É uma banda legalzinha.

  3. Rodrigo disse, em 27/11/2009 às 23:54

    E o que me diz da banda dos seus queridos irmãos Amott?

    • naosoutroo disse, em 28/11/2009 às 13:06

      Isso foi pra mim? :S

  4. Victor disse, em 28/11/2009 às 00:06

    Falando sério agora. Não é uma banda que me surpreendeu tanto assim, mas é bem legal.

    Não vejo nada de mais no vocal da mulher, ao contrário do que você disse. Pra mim é parecido com todos os outros. O que não é uma coisa ruim.

    Eu sempre gostei desse tipo de coisa “a Bela e a Fera” nos vocais, portanto é um ponto bem positivo pra banda.

    Ainda bem que criaram vergonha na cara e colocaram a porra de um baterista de verdade pra tocar nessa merda, a propósito. Coisa estúpida, programar bateria.

    Gosto bastante do som grooveado e pesado, mas ainda gostaria de mais agressividade.

    E eles tem esse negócio progressivo que também me agrada bastante. Enfim, eles tem todos os elementos para que eu adore o som deles. Só preciso escutar mais algumas vezes.

    • naosoutroo disse, em 28/11/2009 às 13:08

      Não é para surpreender. É para achar bom, gostar, ouvir algumas vezes. Faça isso, Gaytor.


Deixe uma resposta

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

WordPress.com Logo

You are commenting using your WordPress.com account. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

You are commenting using your Twitter account. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

You are commenting using your Facebook account. Sair / Alterar )

Connecting to %s

Seguir

Obtenha todo post novo entregue na sua caixa de entrada.